Multimídia Pessoas Invisíveis, as mais afetadas pela guerra civil na Síria
Ceno do documentário The Invisible People. Foto: Reprodução

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Pessoas Invisíveis, as mais afetadas pela guerra civil na Síria

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O documentário The Invisible People narra a realidade de refugiados sírios com deficiência no Líbano

 

O programa de televisão inglês Unreported World lançou em outubro de 2014 o documentário The Invisible People (que pode ser conferido no vídeo com áudio e legendas em inglês) sobre as dificuldades de refugiados sírios com deficiência em conseguir acesso a cuidados básicos, principalmente de saúde. Lançado em uma parceria entre o Channel 4 e a ONG Handicap International, o filme retrata a vida de algumas das famílias que vivem em campos de refugiados no Líbano.

O documentário traz à tona o importante, contudo negligenciado, debate sobre as consequências do conflito na Síria: o cotidiano de refugiados mais vulneráveis e as barreiras encontradas por eles para conseguir retomar uma vida normal após a fuga de seu país de origem. Pessoas com deficiência, por exemplo, estão entre os grupos com menor probabilidade de acessar serviços disponibilizados pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nos campos de refugiados.

Na maioria dos casos tal exclusão ocorre especialmente porque pessoas cuja deficiência é oriunda do conflito têm dificuldade em buscar ajuda, seja por trauma ou por falta de condições físicas. No entanto, há também casos em que a deficiência existia antes do conflito.

No Líbano, a escassez de recursos e o crescente número de refugiados levou o ACNUR à estabelecer critérios de prioridade para definir quem deve receber determinados auxílios. Casos como o de Aya, que nasceu com espinha bífida na Síria, não se qualificam para receber ajuda financeira extra para remédios, acompanhamento médico e moradia. Aya, que escapou dos bombardeios na Síria carregada pela irmã mais velha, luta para sobreviver também no Líbano.

O fotógrafo inglês Giles Duley é quem lidera o documentário, com visível preocupação sobre o tema. Duley perdeu parte do braço e as duas pernas em 2011, quando pisou em um “dispositivo explosivo” (do inglês “improvised explosive device”)  enquanto trabalhava no Afeganistão. Em uma reportagem sobre o documentário publicada no jornal  The Observer, Giles afirma: “Vi muitos refugiados durante minha carreira, mas aqui estou ouvindo algumas das piores histórias da minha vida.”

A realidade dos refugiados com deficiência não é exclusividade dos sírios. Ao redor do mundo, milhares de pessoas com deficiência sofrem por não terem condições de buscar tratamento, ou por não serem priorizadas em meio a situações de conflito ou desastres naturais. É importante destacar que mesmo em situações não emergenciais, em muitos países em desenvolvimento, pessoas com deficiência estão às margens da sociedade, tendo enorme dificuldade em acessar serviços públicos básicos devido não somente à escassez de recursos, mas também ao preconceito.

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