Economia Países emergentes “pró-mercado” são mais bem sucedidos? 

Imagem de Pequim, na China. Foto: IvanWalsh.com / Creative Commons / Flickr

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Países emergentes “pró-mercado” são mais bem sucedidos? 


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Porque China, Índia e Brasil são exemplos recentes de países que tiveram crescimento expressivo do PIB sem recorrer a medidas neoliberais 

Nos últimos meses, Brasil e Índia anunciaram mudanças relevantes em suas políticas econômicas. Duas das maiores potências emergentes do mundo, os países têm adotado abordagem mais favorável ao mercado do que na década passada. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, tem implementado reformas liberais em tentativa de renovar a confiança do mercado, aumentando investimento externo direto no país. A nação asiática também afrouxou algumas restrições ao capital estrangeiro no setor de segurança, além de dar mais independência ao sistema bancário. Em dezembro, o governo brasileiro adotou regras mais rígidas para a obtenção do seguro-desemprego, com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, constantemente defendendo ajustes fiscais, controle de gastos públicos e suspensão de subsídios.

Se essas medidas levarão a maior crescimento econômico é questão para um futuro próximo. É possível argumentar, entretanto, que os resultados positivos registrados pelas economias em desenvolvimento de Brasil, China e Índia nas últimas três décadas são reflexo de políticas pouco ortodoxas e do fato destes países não adotarem medidas propriamente “pró-mercado” há algum tempo.

Um argumento comum entre simpatizantes da globalização é que durante os últimos 30 anos, o mundo registrou crescimento econômico graças a medidas neoliberais adotadas por diversos países. Em 2002, o Banco Mundial relacionou políticas favoráveis ao mercado, como maior engajamento em comércio e liberalização financeira, com níveis de crescimento mais elevados. No relatório Globalization, Growth and Poverty, a instituição analisou 92 países para medir seus níveis de globalização. Após considerar tarifas comerciais entre 1985 e 1997 e volumes de comércio em relação ao PIB entre 1975 e 1997, o banco concluiu: os três países tidos como “mais globalizados” tiveram uma média anual de crescimento de 5% no período, contra apenas 1,4% dos “menos globalizados”. Políticas neoliberais, sugeriu o relatório, foram positivas.

Esse parecer contribuiu para a visão de que os países emergentes mais bem sucedidos em décadas recentes têm sido “pró-globalização”, especialmente quando China e Índia são citados como exemplos. Esse entendimento, no entanto, pode ser enganoso. O sucesso de alguns destes países, especialmente China, Índia e Brasil, não está diretamente ligado a políticas neoliberais, mas ao forte controle do governo sobre a economia.

O relatório do Banco Mundial é, geralmente, usado para defender que políticas favoráveis ao mercado resultaram em crescimento econômico e redução da pobreza. No entanto, analisar participação do comércio no PIB pode não ser a forma mais eficiente de medir níveis de globalização, uma vez que o volume de comércio de um país não indica se este adotou medidas mais ou menos liberais. Logo, é possível a um Estado registrar participação elevada do comércio no PIB e, simultaneamente, ter uma economia fechada.

Conforme destacado por Ray Kiely, ex-diretor da Escola de Política da Queen Mary, Universidade de Londres, a relação diretamente proporcional entre grande participação do comércio no PIB e alto crescimento econômico também não é claro. Alguns dos países mais pobres do mundo possuem alta participação do comércio no PIB, mas isso não é necessariamente refletido em seu crescimento.

Leia também:
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Modi conseguirá alterar a trajetória econômica da Índia?

No período de 1997-98, comércio representou em média 43% do PIB dos 39 países mais pobres e menos desenvolvidos do mundo, participação que se assemelha à média global.  Eles deveriam, portanto, ter começado a sair da pobreza devido aos benefícios do comércio. Isso não ocorreu. Ainda que a maioria destes países tenha adotado medidas liberais, sua parcela na exportação global foi 47% menor entre 1980 e 1999. Além disso, considerando apenas comércio e políticas de investimento em 1997, os países mais globalizados tiveram tarifas médias (em torno de 35%) mais elevadas que nações consideradas menos globalizadas (cuja média foi de 20%). A maioria dos países menos desenvolvidos mantém mercados e regimes de comércio mais abertos que outros Estados emergentes e nações ricas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso, entretanto, não os tornou mais desenvolvidos.

Uma parte importante do sucesso de algumas das principais nações em desenvolvimento está relacionada às políticas de industrialização por substituição de importações iniciadas após 1945. Durante décadas, esses países protegeram setores de suas economias da competição externa para fortalecer a indústria nacional. Para muitos deles, a exportação de manufaturas se tornou importante a ponto de representar  70% de seu comércio exterior em 1990, contra 20% na década anterior.

Essa era uma estratégia comum até o ajuste neoliberal dos anos 1980. Esse contexto influenciou nas últimas décadas os níveis de crescimento de China e Índia, tidas como modelos de globalização. Segundo a visão neoliberal, após adotar medidas pró-mercado, as duas potências asiáticas aumentaram média de crescimento anual de 2,9% nos anos 1970 para 5% nos anos 1990. Ambas beneficiaram-se, de fato, do comércio global, mas o PIB aumentou antes das medidas de liberalização. Na Índia, poucas mudanças ocorreram nos níveis de crescimento pós-liberalização dos anos 1990. Além disso, ambos os países ainda são economias bem fechadas.

China e Índia realizam controle de capitais e adotam subsídios em diversos setores. Apesar de queda destas barreiras comerciais em décadas passadas, subsídios podem ser considerados ainda elevados: tarifas médias de importação na Índia eram de 59% no início dos anos 1990, tendo caído para 8,2% em 2009. Na China, elas passaram de 32,2% nos anos 1990 para 4,1% em 2011. Ainda assim, há distância considerável para países, como por exemplo o Peru, que possi  economia emergente associada ao liberalismo, tendo 2010 registrado tarifas de importação de 1,5%. Por outro lado, Canadá e Chile que também possuem barreiras comerciais baixas, não cresceram no ritmo chinês e indiano no mesmo período. Logo, pode-se afirmar que a abordagem liberal não foi a responsável pelo sucesso dos dois países asiáticos.

Desde os anos 1980, a China tem crescido a uma média anual de 7,15%, mas o fez por meio de políticas pouco ortodoxas. O país não liberalizou o seu comércio na maior parte dos produtos até que pudesse competir globalmente naquelas áreas. A transição para uma economia mista foi feita cuidadosamente com projetos pilotos, como as Zonas Econômicas Especiais nos anos 1980, que permitiram ao país “experimentar” com o capital estrangeiro. Isso indica que os países não precisam adotar políticas puramente liberais para se beneficiar do comércio global, conforme Robert H. Wade, professor de Política Econômica e Desenvolvimento na London School of Economics (LSE), argumenta.

Pelo contrário, esses Estados ainda são adeptos de medidas protecionistas. E até respondem por algumas delas na Organização Mundial do Comércio (OMC), na qual países membros podem reclamar de medidas desleais adotadas por outras nações. Em 2014, a China respondia por 31 queixas oficiais, sete delas relacionadas a dumping (geralmente, quando uma empresa cobra preço menor de um cliente estrangeiro e outro maior no mercado nacional para recuperar os custos da exportação, levando a competição injusta).

A Índia respondia a 22 moções, 10 delas sobre restrições a importações de produtos de agricultura e industriais, além de itens do setor têxtil. O Brasil, outra economia que cresceu em ritmo acelerado na década passada, respondia a 15 ações. Destas, quatro estavam relacionadas a subsídios oferecidos ao setor  automotivo, que em 2007 respondia por 5,4% do PIB do país. Motivo pelo qual o governo tende a conceder benefícios ao setor, afetando a competitividade de automóveis importados. Esses exemplos mostram como três das economias emergentes que mais crescem no mundo não são seguem tão à risca a globalização como pode parecer.

O sucesso chinês também está relacionado ao forte papel desempenhado por empresas estatais. Em 1996, essas companhias representavam 75% do emprego urbano no país. Em 2009, elas ainda respondiam por mais de 30% dos postos de trabalho nas grandes cidades e pela mesma proporção do PIB. Esses números questionam seriamente argumentos liberais em favor da privatização de empresas públicas.

Na China, o governo ainda controla o fluxo de capital estrangeiro, direcionando-o para áreas chaves aos objetivos de desenvolvimento do país, o que inclui a indústria de alta tecnologia. O papel do Estado na economia é uma das razões por trás do contínuo crescimento de China, Índia e Brasil. Na verdade, como a economista Ilene Grabel afirma, essa atuação pode ter trazido mais estabilidade a esses países. Isso porque o controle de capitais, por exemplo, permite favorecer tipos “desejáveis” de investimento, como os de longo prazo e produtivos.

Neste sentido, em alguns setores da economia o governo chinês obriga empresas estrangeiras a encontrarem um parceiro local para investir no país por meio de joint ventures. Essas parcerias possuem limite para o capital de propriedade externa. Tais mecanismos buscam trazer ao país investimentos que vão criar empregos e transferir tecnologia, duas das bases de qualquer economia de sucesso. O Brasil, neste contexto, frequentemente utiliza ferramentas semelhantes para afugentar especuladores financeiros. Entre 2009 e 2013, por exemplo, o governo taxou alguns tipos de investimento externo de curto prazo para proteger a economia brasileira.

Logo, é possível afirmar que o recente sucesso de China, Índia e Brasil, entre outras economias emergentes, não está inteiramente (ou de forma alguma) associado à adoção de políticas “pró-mercado”. Pelo contrário, está intrinsicamente relacionado a papel forte do Estado, medidas protecionistas, controle de capital estrangeiro, entre outras políticas não liberais. Neste sentido, os atuais governos de Brasil e Índia deveriam considerar o passado antes de proceder com suas reformas econômicas.

28 Responses to Países emergentes “pró-mercado” são mais bem sucedidos? 


  1. Marquinhos disse:

    Devemos lembrar que toda estrategica americana é tomada por programas de computadores. Quando o Brasil faz acordos com os Estados Unidos iguala-se a um ser humano jogando xadrez contra um uma maquina. A maquina SEMPRE ira vencer (levar vantagem). O segredo e nao sentar na mesa para jogar, desta forma nao ha como ser derrotado. LEMBRE-SE! TODO PLANEJAMENTO E DECISAO NORTE AMERICANA é FEITO POR COMPUTADORES!!!!!!!!!!!

  2. Felipe disse:

    Adorei o texto !!

  3. JO disse:

    Comparar Brasil e China é sacanagem… Se a China é emergente o Brasil é sub-emergente!

  4. Itan disse:

    “Porque China, Índia e Brasil são exemplos recentes de países que tiveram crescimento expressivo do PIB sem recorrer a medidas neoliberais”

    Pede a pergunta: se foram as políticas estatistas (e não as reformas neoliberais) que impulsionaram a economia então por que esses países não eram ricos já na década de 80 quando o estatismo era máximo?

    • Isk disse:

      Porque o governo brasileiro passou a década de 80 sendo ‘encurrado’ pelo FMI (explosão da crise da dívida em 82) e porque o governo chinês concluiu a grande reforma baseada nas Z.E.Es só no início da década de 90.

  5. Erivaldo Coutinho disse:

    Essas economias tinham tanto por crescer em 30 anos, que qualquer politica de abertura. mais próxima do liberalismo, iria resultar em ganhos expressivos.

  6. Weslei disse:

    Os países do BRICS têm uma população gigantesca, o que obviamente vai gerar um PIB elevado, porém concentrados nas mãos do governo e das empresas que são amigas do rei, enquanto a população fica a mercê da pobreza e da baixa qualidade de vida. O que o autor defende vai gerar só inflação, endividamento da população e péssima qualidade de vida as pessoas, o que o governo Dilma fez nos últimos 4 anos. Quando se mistura ideologismo com economia o resultado é desastroso. É impressionante ver o atraso da chamada intelectualidade tupiniquim. Por isso o Brasil sempre será um país do futuro.

  7. Midiotinha disse:

    A China é muito mais aberta ao comércio exterior que o Brasil e a legislação trabalhista é neoliberal escravista, impossível ser mais neoliberal, só a política monetária é keynesiana, talvez kaleckiana… . Se fosse mais neoliberal que isso, dentro desses limites, seria burrice.

    • Isk disse:

      Creio que cabe a ressalva de que o papel do Estado chinês na condução dessas relações comerciais aparentemente ‘neoliberais escravistas’, como você bem colocou, é bastante longe do ideário neoliberal clássico. O Estado chinês é bastante participativo no sentido em que exige o intercâmbio tecnológico e gradualmente incorpora as cadeias produtivas que lá se instalaram. Exemplo claro desta afirmação são as cadeias produtivas de smartphones, até mesmo de automóveis, entre outras. Se a Apple produziu lá, hoje eles produzem os ‘Huawei’. De periferia, eles desejam passar ao centro. E esta transição seria impossível sem um papel agressivo do Estado. Nesse sentido, as relações de produção podem ser ‘neoliberais escravistas’, mas a inserção da China na lógica da divisão internacional do trabalho é bastante ‘estatista’. Você acha que eu estou errado?

      Abraços

  8. Fabiano Barboza disse:

    Estranho usar como exemplo lugares onde os direitos humanos são quase inexistentes, a mão de obra é semi escrava. o desrespeito ao meio ambiente é gigantesco, a liberdade de opinião é uma ficção. Esse é o modelo de crescimento a ser seguido?

  9. Lucas disse:

    Em duas linhas eu vejo que o autor nunca leu um livro de qualquer economista que acerte previsões econômicas, mas que adora buscar “evidências” que comprovam o próprio ponto de vista dele.

    Única coisa certa no texto: afirmar que China e Índia continuam sendo economias fechadas.

    Agora vamos aos erros.

    1) Ele chama de liberdade econômica a “participação do comércio no PIB”. O que isso nos diz sobre liberdade econômica? Absolutamente nada. É possível ter um comércio completamente subsidiado pelo governo e totalmente fechado para o mercado internacional. Vai ser uma porcaria de comércio, com péssimos produtos, e caros, mas vai representar uma bela proporção do PIB. Portanto, já começa com uma baboseira gigantesca.

    2) Todos os BRICs são economias fechadas e decepcionantes:
    Brasil: já decepcionou.
    Rússia: já decepcionou.
    India: já decepcionou (a pobreza reina).
    China: começando a decepcionar (a pobreza reina também).

    Os liberais já previram uma crise na China há algum tempo. Em breve, o autor desse texto vai queimar a língua mais um a vez. Depois que os 4 países que ele adora já tiverem decepcionado, será que ele vai mudar de ideia? Eu duvido.

    3) Ele compara o crescimento desses países com Canadá e Chile, que nos últimos anos estiveram entre os países mais liberais do mundo. Isso é dar um tiro no próprio pé. Basta perguntar em quais países é melhor de se viver, quais possuem os melhores indicadores econômicos e sociais, etc. A ÚNICA coisa que China e India conseguiram foi superar o crescimento do PIB, e isso é uma combinação de dois fatores:

    Fator 1: População. Mesmo que a produtividade do Canadá seja 10 vezes a da China ou da India, o fato é que a população não chega nem perto de 1 décimo da deles. Logo, é óbvio que a migração dos chineses e indianos para as cidades, somado ao crescimento acelerado da população, gerou um crescimento enorme no PIB deles, pois antes o PIB deles era ridículo. Porém, o PIB per capita do Canada é 5 vezes o da China. Faltou um pouco de raciocinínio…

    Fator 2: Expansão monetária gera crescimento artificial. Isso é o que sempre acontece numa economia onde há expansão de crédito. Nos primeiros anos a taxa de juros se reduz, os salários aumentam, o desemprego se reduz e os investimentos também aumentam. No entanto, tudo isso é insustentável porque a sua origem é a simples criação de dinheiro “do nada”. Logo após este período de euforia, chega-se a uma crise inevitável, com aumento da inflação e do desemprego, e redução dos investimentos. Isso aconteceu nos EUA e está acontecendo no Brasil. E em breve, acontecerá na China. Já existem “cidades fantasmas” e o crescimento do PIB deles já começou a desacelerar.

    Em breve, os apoiadores da China estarão mais uma vez decepcionados e “perdidos”, sem entenderem nada. Como sempre.

    O “Fator 2” foi escrito na TACE – Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos há décadas. Sempre se realiza na prática. Nenhum país gerou prosperidade com expansão monetária até hoje. No máximo, eles se enganam durante algum tempo. A pobreza continua lá.

    Quer ver os resultados da liberdade econômica? Pergunte aos habitantes de Hong Kong se eles querem se unir à China novamente. É óbvio que não.

    • fellipe z. disse:

      Genial, meu amigo.

    • Victor disse:

      Você falou, falou e não disse absolutamente nada! Chamar de “decepcionantes” as economias dos BRICS, além de um argumento tão forte quanto chamar de “bobo é feio”, é completamente anti-histórico. Amigo, não tem como falar de crescimento econômico sem levar em consideração um acúmulo histórico de capital em cada região. A história do Canadá nada tem a ver com a da China. A demanda agregada e o nível de especialização da força de trabalho dá conta de uma diferenciação entre os dois países que é da ordem da história, e não de suas opções econômicas recentes. Se as análises econômicas forem prescindidas de um contexto sociológico e histórico, serão tão vazias quanto as “receitas” liberais de um FMI que considera uma solução de aprofundamento das relações de dependência ao invés de criar mecanismos para diminuí-las. Recomendo o Thomas Piketty.

      • Lucas disse:

        Caro Victor, recomendo Ludwig von Mises antes de Piketty. Não me lembro de Piketty ter acertado as suas previsões sobre a economia dos países.

        Por outro lado, Mises acertou todas até hoje.

        As ideias de Piketty acabaram de dar errado no seu próprio país, a França. E os motivos disso foram explicados há cerca de 100 anos atrás, por

        Mises. Infelizmente Piketty não leu Mises.

        Por exemplo, Piketty sugeriu aumentar os impostos sobre grandes fortunas. A França acabou de fazer isso, e os resultados foram: fuga de capitais

        do país; queda na arrecadação do governo; queda na reputação do país; e aumento da desigualdade. Logo depois, o governo da França voltou atrás e

        diminuiu os impostos sobre grande fortunas, acusando o próprio erro.

        Foi um grande “fail”. Mas uma coisa eu lhe garanto: Piketty está feliz da vida com sua fama e enriquecimento.

        Voltando aos BRICs, você disse que “eu não disse nada”. Discordo, pois o que escrevi está recheado de argumentos lógicos. Basta raciocinar para

        entender. Mas se quiser que eu desenhe, então vou desenhar: economias decepcionantes são aquelas onde a pobreza e a desigualdade continuam

        altas, mesmo após muitos anos de espera de melhorias. Bom, agora você deve concordar comigo que elas são realmente decepcionantes, afinal todos

        sabem desses problemas nestes países.

        Já sobre o contexto histórico dos países, posso lhe garantir que existem países com características históricas, geográficas e culturais totalmente

        diferentes, onde a liberdade econômica levou à prosperidade. E tudo isso também é explicado pela teoria econômica, mas pra isso você precisa ler

        Mises – e não Piketty.

        Se quiser um exemplo, dê uma olhada no caso de Hong Kong. Logo, seu argumento sobre a China é invalidado. Favor ler o seguinte texto:

        http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1803

        Se a história ditasse os rumos dos países como você argumentou, os seguintes países não teriam se desenvolvido tanto ao longo dos últimos 50 anos:

        Hong Kong, Cingapura, Austrália, Nova Zelândia, Maurício, Taiwan, entre outros. Todos eles reduziram a desigualdade e a pobreza com muito mais

        sucesso do que China e India, por exemplo.

        Se quiser verificar como a liberdade econômica leva à prosperidade em qualquer país, no mundo todo, recomendo ler o seguinte documento:

        http://forumdaliberdade.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Index2014_Highlights-Port-final.pdf

        Na média, os países economicamente mais livres superam os outros em crescimento econômico, renda per capita, assistência médica, educação,

        proteção ambiental e redução da pobreza. Dentro de um mesmo continente, as diferenças são enormes. Por exemplo, os países de economia mais

        livre da Ásia tem uma renda per capita média 7 vezes maior do que a dos países menos livres economicamente. Na Europa, os mais livres tem uma

        renda 3 vezes maior. No Norte da África e no Médio Oriente, os mais livres tem mais de 5 vezes a renda média dos menos livres. Isso tudo já leva

        em conta o custo de vida, é claro. Tudo isso está no documento que te citei.

        Em resumo, a prosperidade gerada pela liberdade econômica já demonstrou que qualquer país pode consegui-la, em diferentes locais geográficos,

        com diferentes culturas e diferentes histórias. Você verá em breve que a China terá um colapso, mas Hong Kong continuará prosperando. Aí

        depende de você tirar suas próprias conclusões.

        Por fim, lhe recomendo cuidado com o livro de Piketty. Até agora ele não revelou de onde tirou seus dados. No mundo todo, há grande suspeita de

        manipulação de dados no seu livro, e isso é algo que os políticos de esquerda já demonstraram ter bastante gosto ao longo da história.

        E pode confiar em mim. Eu já fui de esquerda. Mas a lógica, os argumentos e os fatos me fizeram mudar de ideia, principalmente após ler Mises.

        • Lucas disse:

          Aproveitando para indicar esse video super didádico que mostra a origem das crises que vemos ao redor do mundo.

          Porque nós já sabíamos da crise dos EUA, do Brasil, e da China (em breve) muito antes delas acontecerem:

          Escolas Tradicionais de Economia:

          “Infelizmente, a visão econômica dominante nas universidades – e, portanto, absorvida pela maioria dos profissionais no mercado – é a visão de que os mercados devem ser estudados como a física. Tempo e recursos são desperdiçados na tentativa de encontrar modelos matemático-probabilísticos que sejam capazes de prever de antemão as variáveis econômicas, uma tarefa impossível. Nessa visão, não é possível encontrar uma teoria econômica universalmente verdadeira a priori, porque suas proposições devem ser continuamente “falseadas” pelos novos fatos.

          Consultorias que buscam auxiliar seus clientes tendo exclusivamente o uso de modelos econométricos e de precificação estão, antes de qualquer coisa, vendendo um produto cujo lastro teórico já reconhecem ser duvidoso (falseável). Além disso, estão prometendo algo que não podem fornecer – previsões quantitativas com alguma probabilidade objetiva de acerto.”

          Historiadores e outros cientistas sociais:

          “Há ainda aqueles que, influenciados por suas visões políticas e filosóficas, não acreditam que existam relações econômicas de causa e efeito universais. Dizem, por exemplo, que um aumento na oferta monetária, considerando tudo mais constante, não elevará os preços acima do patamar em que iriam se encontrar no caso contrário. Ou que o salário mínimo não eleva o desemprego e a informalidade, especialmente para a mão de obra pouco qualificada. Para esse grupo, é tudo uma questão de interpretação histórica. O salário mínimo ou o afrouxamento monetário geram tendências distintas, dependendo do contexto histórico-institucional em que se encontram. O investidor, então, se pergunta: como planejar investimentos seguindo essa visão de mundo, na qual este uma hora se comporta de uma forma, outra hora completamente diferente? Certamente impossível.”

          A Escola Austríaca Como Ferramenta de Interpretação dos Mercados:

          “Felizmente, há uma alternativa plausível, e esta é oferecida pela Escola Austríaca de Economia. Em resumo, a Escola Austríaca é um desenvolvimento teórico que se iniciou em 1871, com o Austríaco Carl Menger, e foi desenvolvida por grandes pensadores como Ludwig von Mises, e o prêmio Nobel Friedrich Hayek. No Brasil, sua divulgação ainda é pequena, devido à sua postura metodológica antagônica ao mainstream acadêmico e devido às suas conclusões políticas, de caráter liberal.

          A singularidade da Escola Austríaca está no fato de propor a possibilidade de interpretação dos fenômenos econômicos com base em teorias universalmente válidas, ao invés de propor sua previsão.

          Como isso é possível? Os Austríacos sugerem ser possível deduzir algumas relações gerais de causa e efeito, sempre válidas. Deve se partir de verdades básicas – por exemplo, de que os indivíduos agem; de que os bens são escassos; de que, tudo mais constante, um bem presente vale mais do que o prospecto de um bem futuro, etc. A partir das mesmas, os Austríacos deduzem teorias mais complexas sobre o funcionamento dos mercados. Como partem de verdades básicas, seus desdobramentos também são verdadeiros, sempre que qualquer suposição auxiliar for verdadeira no mundo real. Isto é, supondo-se uma economia com moeda na teoria, e existindo na prática uma economia com moeda, pode-se usar tal teoria para análise.”
          (Rafael Hotz – Economista do Clube de Vienna)

          Link do video: https://www.youtube.com/watch?v=LiwLn9_Z7Ao&feature=share

    • Gustavo disse:

      Genial!!

    • Rodolfo disse:

      Genial. Eu fico realmente chateado quando alguns textos são escritos em salas fechadas sem janela. Coitado do comércio e da indústria brasileira, isso é um desaforo para as pessoas que trabalham nestes ramos. E a China, desculpe, toda uma história de evolução mundial em leis trabalhistas, segurança do trabalho e qualidade é jogada no lixo lá, é fácil ter um comércio e indústria tão crescente como eles tratando os trabalhadores como lixo (não estou dizendo que isto é só culpa deles, é do capitalismo também, mas neste artigo estamos celebrando o PIB deles, isso é péssimo).

      • Lucas disse:

        Obrigado pelo apoio Rodolfo. Devemos buscar a lógica e a consistência dos argumentos. Já fui de esquerda, porém não me convenci. Então conheci as teorias keynesianas, e também não me convenci. Ao conhecer a Escola Austríaca, me surpreendi com a consistência lógica e a capacidade deles de acertar todas as previsões econômicas. Abraços.

  10. Mises disse:

    Interferência governamental só causa fortes distorções que geram mais crises e problemas sociais, no longo prazo, vide o Brasil Excetuando o Brasil, os outros dois possuem vários setores da economia com pouquíssimas restrições (regulamentações governamentais) como o setor bancário e de eletrônicos chinês e o de informática na Índia. Outra ZEE da china são um exemplo de prática liberal no seu interior, não é atoa que estas pequenas áreas são motores da china, o resto do país vive na idade média. Sem contar que está na China Hong Kong, o lugar mais liberal do mundo em relação à economia, que a principal porta de investimentos estrangeiros na china. Então no artigo se utiliza tanto a palavra neoliberalismo, que nada mais é do que uma teoria já mostrada tão fracassada quanto o Socialismo, quanto a social-democracia, que dá até calafrios na espinha. E também dizer que um bando de burocratas que trabalham para um estado conseguem controlar e organizar algo tão complexo e imprevisível como a economia e a sociedade humana é super-estimar a capacidade humana, além de que o normal é que as pessoas olhem para seu próprio umbigo primeiro e políticos não são exceções. Agora eu pergunto se o que escreveste esteja tão correto por que esses países já estão dando sinais de crise, com forte desaquecimento econômico, e até mesmo no caso de nosso país estagnação econômica, mesmo com o forte crescimento dos EUA(também insustentável a longo pazo), por que eu pergunto?

  11. Gustavo disse:

    “Em dezembro, o governo brasileiro adotou regras mais rígidas para a obtenção do seguro-desemprego, com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, constantemente defendendo ajustes fiscais, controle de gastos públicos e suspensão de subsídios.” Hoje, como sabemos e nos foi revelado pelo próprio governo, tais medidas já haviam sido acordadas por Dilma pouco antes das eleições. Dilma já mentia descaradamente naquela época.
    No mais, ajuste, como o nome quer dizer significa ajuste mesmo, principalmente de algo que estava tremendamente errado. Não significa que haverá crescimento com essas medidas, que é uma ideia falsa que este artigo tenta passar.

    Sobre o liberalismo, é bem claro que a China melhorou muito depois de uma abertura. No entanto, Brasil, China e Índia não são países exemplos de “neoliberalismo”. Nunca foram. O Brasil experimentou um período de crescimento depois de uma certa liberação da economia, que como sabemos também, vem diminuindo desde o segundo governo de Lula. A cada ano nosso país vem caindo mais e mais nos rankings de liberdade econômica e perdendo competitividade. A atividade pífia de nossas industrias são o exemplo de resultado das medidas protecionistas e desenvolvimentistas adotadas, que a curto prazo sempre funcionam, mas depois a conta dos gastos excessivos sempre chega para todos.

    • VINICIUS disse:

      Essas políticas desenvolvimentistas funcionam num mundo caótico e com alta taxação de tributos progressivos.
      Onde há incentivo ao risco essa política funciona.
      Quando o custo do capital privado é alto, possuindo taxas de retorno altas e sem risco, quem vai arriscar seu dinheiro em novos negócios, por mais que incentivados pelo governo?

      Mantendo taxas tributárias regressivas, não incentivo ao risco (ou investimento) essa políticas são apenas concentração de renda…

  12. Eduardo S. Bremm disse:

    e o México?

    • VINICIUS disse:

      A Índia cresce a índices altíssimos em comparação com a economia mundial.
      E a Índia possui economia neoliberal.

      Sem contar os países aqui da America latina que estão utilizando políticas neoliberais e crescendo de forma sustentável e orgânica há anos como o Chile, Colômbia, Peru.

    • Italo Coelho disse:

      kkkk ,,o México esta atolado em dívidas e corrupção policial. É um estado silenciado pelo terror propagado pelos narcotraficantes dos Zetas, templários e etc. Lá o povo se arma em milicias domésticas. Fora que
      a produção, a circulação e a distribuição dos bens são majoritariamente transacionadas por um grupo cada vez mais concentrado e centralizado de empresas internacionais, que enviam os resultados da riqueza para bem longe do território mexicano, dadas as privatizações. E é exatamente esse exemplo que o PSDB quer aplicar aqui.

  13. Gabriel Silva disse:

    É possível reescrever a frase a seguir defendendo as privatizações chinesas: “O sucesso chinês também está relacionado ao forte papel desempenhado por empresas estatais. Em 1996, essas companhias representavam 75% do emprego urbano no país. Em 2009, elas ainda respondiam por mais de 30% dos postos de trabalho nas grandes cidades e pela mesma proporção do PIB. Esses números questionam seriamente argumentos liberais em favor da privatização de empresas públicas.”

    Reescrevendo a frase: O sucesso chinês também está relacionado ao forte papel desempenhado pelas privatizações. Em 1996, essas companhias representavam 75% do emprego urbano no país. Em 2009, elas respondiam apenas por cerca de 30% dos postos de trabalho nas grandes cidades e pela mesma proporção do PIB. Esses números questionam seriamente argumentos protecionistas contra a privatização de empresas públicas.

  14. João Lima disse:

    O artigo é bom, mas claramente direcionado a economistas, pelo menos ao meu ver. Vou escrever só acerca do Brasil, declarando que sou em principio contra subsídios governamentais e mais ainda contra os elevados percentuais de impostos e contribuições, algo que tem ocorrido amiúde por aqui. Noto que a indústria e o comércio, face a deficiente logística de transportes perde competitividade, e vende menos aqui e no exterior. Sou a favor de políticas sustentáveis: ensino público e gratuito de qualidade em todos os níveis; uma burocracia oficial menor, mais eficiente e bem remunerada; menos impostos e mais baratos, além de uma cobrança total deles; todo o emprego, que aquelas atividades puderem sustentar, com ganhos para trabalhadores e empresários; especialmente a redução da corrupção pública e privada; melhores estradas, portos e aeroportos. Com isto tudo não haverá a necessidade de subsidiar nada e haverá uma ampla classe média.

    • lucas disse:

      Você é a favor de menos impostos, menos corrupção e melhores serviços públicos? Que lindo, porque ninguém pensou nisso antes, é tão fácil!

    • Ed Araújo disse:

      E como você vai pagar por ensino público de qualidade? Para isso, precisa de dinheiro. Para ter dinheiro, é preciso cobrar impostos.

      A carga tributária no Brasil não é alta – está na média. Para constar, a carga tributária inglesa é similar à nossa, e pra uma população três vezes menor, o que quer dizer que cada cidadão inglês paga em média três vezes mais impostos que um cidadão brasileiro. A diferença, que deveria ser adotada aqui, é que lá há mais impostos diretos e menos impostos indiretos. Assim, são os ricos que mais arcam com a manutenção do Estado de Bem-estar Social. E isso é o justo.

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