Direitos Humanos, Multimídia, Política “Não poderia ser uma testemunha comum de algo tão horrível”

“Não poderia ser uma testemunha comum de algo tão horrível”

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O fotógrafo croata Tarik Samarah fez uma de suas missões mostrar ao mundo as imagens do genocídio em Srebrenica e de outros massacres étnicos na Bósnia e Herzegovina

*De Sarajevo, Bósnia e Herzegovina

Em 14 de dezembro de 1995, a assinatura do Acordo de Paz de Dayton pela República da Bósnia e Herzegovina, a República da Croácia e a então República Federal da Iugoslávia colocou um fim na guerra civil da Bósnia, iniciada em 1992. Logo, 2015 marca os 20 anos do acordo que restabeleceu a paz no país dos Bálcãs.

Neste ano, em 11 de julho, também completaram-se duas décadas do genocídio de Srebrenica, quando 8.372 homens muçulmanos foram massacrados por tropas bósnio-sérvias em uma área protegida pela ONU no leste da Bósnia – repleta de refugiados do conflito.

O fotógrafo Tarik Samarah. Foto: Divulgação

O fotógrafo Tarik Samarah. Foto: Divulgação

Após duas décadas, as marcas da guerra civil estão por toda parte na capital Sarajevo, seja em prédios cravejados de balas ou nas marcas vermelhas no asfalto onde granadas despedaçaram civis. Mas raramente o conflito frequenta a conversa dos moradores. A Galerija 11/07/95 é uma exceção. O pequeno espaço no centro da cidade é o primeiro museu memorial da Bósnia, uma para manter viva a lembrança do genocídio de Srebrenica e também informar os visitantes sobre as consequências do conflito.

Nas paredes, a escala do massacre: estão impressos os nomes das vítimas, acompanhados por centenas de retratos. “A primeira e mais importante coisa a se colocar na galeria foi o nome das vítimas. Todos aqueles homens foram mortos apenas por serem muçulmanos”, conta Tarik Samarah, diretor da galeria e autor de parte das imagens expostas.

Nascido em Zagreb, hoje capital da Croácia, o fotógrafo passou a guerra civil sitiado em Sarajevo, onde viveu nos últimos 30 anos. Suas imagens dos anos pós-genocídio em Srebrenica foram exibidas em renomadas galerias e museus, entre eles a sede da ONU em Nova York, o Museu do Holocausto dos EUA.

Em Sarajevo, Tarik conversou com o Politike sobre o poder das imagens de sua galeria (muitas das quais combinam choque e beleza estética) para educar as novas gerações e para preservar a memória do conflito.

O vídeo abaixo, com a entrevista de Samarah e suas imagens, integra a nova série especial do Politike sobre os 20 anos da guerra civil na Bósnia. As legendas em português precisam ser ativadas no Youtube, na aba “Closed Captions”.

 

 

 

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