Direitos Humanos, Política “DNA revolucionou identificação de desaparecidos na Bósnia-Herzegovina”
DNA de parentes de desaparecidos foi comparado com o DNA de corpos encontrados em valas comuns no país. Foto: ICMP

“DNA revolucionou identificação de desaparecidos na Bósnia-Herzegovina”

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Membro da Comissão Internacional para Pessoas Desaparecidas explica como a organização ajudou a identificar 70% dos desaparecidos durante a guerra civil

Este é o quarto artigo da série especial sobre os 20 anos do fim da guerra civil na Bósnia-Herzegovina. 

Ao fim da guerra civil na Bósnia-Herzegovina, em dezembro de 1995, cerca de 31,5 mil pessoas estavam desaparecidas em decorrência do conflito. Duas décadas depois, o país conseguiu localizar e identificar 70% destes indivíduos – um resultado jamais atingido em outros países em situação de pós-conflito.

Mas como a Bósnia conseguiu números tão expressivos? A resposta é o uso pioneiro da tecnologia de DNA para identificar restos mortais.

Nas regiões de Srebrenica e Prijedor onde assassinatos em massa ocorreram durante a guerra, os responsáveis por estes crimes tentaram eliminar evidências removendo os corpos das vítimas de valas comuns com escavadeiras mecânicas. Depois, os transportaram em caminhões para covas secundárias longe dos locais das execuções.

Neste processo, muitos corpos foram desmembrados e suas partes terminaram em valas diferentes, separadas por quilômetros de distância. “Isso, obviamente, tornou muito difícil o uso de métodos convencionais para identificar os corpos”, diz Kevin Sullivan, gerente de comunicação sênior da Comissão Internacional para Pessoas Desaparecidas (ICMP, em inglês), organização criada em 1996 para comandar os processos de identificação dos desaparecidos no país.

“Este foi um caso no qual o DNA revolucionou completamente o processo, porque era possível dizer ‘esse resto mortal e esta parte de um corpo separadas por 50 km pertencem ao mesmo corpo’”, argumenta. “Quando o ICMP começou a usar DNA no final dos anos 1990, o nível de identificação era relativamente pequeno. Dentro de um ano, pulou para diversas centenas por ano.”

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DNA revolucionou o processo de identificação de pessoas desaparecidas na Bósnia. Foto: ICMP

O ICMP forneceu suporte tecnológico à Bósnia-Herzegovina, além de ajudar a estabelecer uma instituição que lidasse com os casos de desaparecidos sem discriminação entre os grupos étnicos do país. “No final da guerra, havia esforços para determinar o destino dos desaparecidos conduzidos pelas diferentes partes do conflito. E, frequentemente, o que elas tentavam fazer era encontrar os seus próprios membros. Não é possível fazer isso. Não se pode conduzir uma busca bem sucedida pelas pessoas desaparecidas se alguém está tentando limitar os esforços a um grupo particular, seja com base em religião ou etnia”, explica Sullivan.

A identificação dos restos mortais é baseada em um sistema estabelecido de forma pioneira na Bósnia, no qual os parentes de desaparecidos doam amostras de sangue. O DNA destas amostras é armazenado em um programa de computador. Quando corpos são encontrados, o DNA dos corpos é lançado no programa, que busca alguma correspondência no banco de dados. “Desta forma, se tornou possível identificar corpos que estavam enterrados por 20 anos.”

Entenda como o processo funciona na entrevista em vídeo abaixo (habilite as legendas em português no Youtube):

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