OxPol, Política Como a crise afeta a imagem global do Brasil
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Como a crise afeta a imagem global do Brasil

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Estudos sugerem que crise econômica e política tem impacto limitado em como a “marca” Brasil é percebida no exterior

Este é o terceiro texto da série especial produzida pelo Politike e pelo OxPol sobre a crise no Brasil. 

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Nos últimos meses, o Brasil se tornou sinônimo de má notícia na imprensa internacional, embora essa mudança negativa tenha começado pouco antes da eleição presidencial de 2014. Após anos estrelando reportagens elogiosas sobre sua economia finalmente estar “decolando”, conforme a revista britânica The Economist proclamou de maneira exageradamente otimista em 2009, o furor em torno do promissor futuro brasileiro parece ter sido substituído por um profundo ceticismo e pessimismo. Ao que parece, o Brasil passa por um período de caos.

De certa forma, essa é uma conclusão plausível. Em 2016, o Brasil entrou oficialmente em sua mais profunda recessão em mais de duas décadas, um cenário intensificado por uma prolongada crise política que pode resultar no impeachment de Dilma Rousseff. Em um curto período de tempo, alguns fatores ajudaram a desestabilizar o País: 1) o governo foi fortemente atingido pelos desdobramentos da Operação Lava Jato; 2) o País registrou mais uma vez o maior número de homicídios do mundo; 3) um surto do vírus zika aterrorizou a população, em especial as gestantes; 4) um desastre ambiental de largas proporções ocorreu em Mariana (MG) em decorrência da negligência de autoridades de fiscalização e da Samarco.

Esse quadro indica que nada parece estar dando certo para o Brasil neste momento. A imagem positiva construída pelos sucessos do País em anos recentes (uma imagem que mostrava o Brasil como uma potência emergente com uma economia vibrante que eventualmente se tornaria uma liderança hemisférica) parece ter se desintegrado com a crise.

Em certa medida, essa impressão negativa sobre a atual imagem do Brasil é apoiada em dados. Entretanto, como explicarei mais adiante, uma interpretação diferente pode ser apresentada quando considerado o cenário em logo prazo.

Segundo uma pesquisa recente, a imagem brasileira despencou com base em como a imprensa internacional retrata o País. Em 2015, diz o estudo I See Brazil, da agência Imagem Corporativa, 72% de todas as menções ao Brasil em veículos estrangeiros de comunicação tiveram conotação negativa. Foi o pior resultado do País desde o início da pesquisa, em 2009. Naquele ano, oito em cada dez artigos mencionando o Brasil tinham uma visão positiva sobre o País. Neste contexto, pode-se usar como exemplo as capas da The Economist, que mostraram o Brasil decolando em 2009, seguido pela perda de equilíbrio do País, e, depois de apenas seis anos, o seu aparente atoleiro.

A pesquisa analisou quase 2 mil artigos publicados por nove diferentes veículos internacionais (La Nación, Clarín, Der Spiegel, El País, Financial Times, The Economist, Le Monde, The New York Times e The Wall Street Journal) que citaram o Brasil em 2015. Então, calculou o I See Brazil Index, uma pontuação que indica a qualidade da imagem de um país na mídia internacional. O Brasil ganhou uma pontuação de 1,6/10, sendo o máximo possível 10/10. O desempenho foi o pior já registrado pelo País no índice, inferior aos 3,77/10 registrados no ano anterior.

Dilma Rousseff tenta resistir ao processo de impeachment. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Dilma Rousseff tenta resistir ao processo de impeachment. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Em março, após mais uma semana de notícias tóxicas no cenário político nacional, o historiador britânico Kenneth Maxwell argumentou ser difícil enxergar algum sinal de melhora para o Brasil em meio a um tsunami de notícias ruins. O Brasil, ele disse, sediará as Olimpíadas do Rio no pior momento de sua imagem internacional.

A afirmação de Maxwell pode ser verdadeira, mas a crise danificou de forma severa a imagem internacional do Brasil? Embora seja possível argumentar que a ‘tempestade perfeita’ enfrentada pelo País destruirá a “marca Brasil”, nem tudo está perdido para a reputação global brasileira. Eis o motivo: a maioria dos debates acadêmicos sobre nation branding (o estudo que avalia as “marcas” dos países no resto do mundo) e identidade nacional competitive (outro nome dado a este tipo de avaliação das imagens dos países) apontam que a reputação global de uma nação é construída por uma gama de conceitos robustos não facilmente afetados por uma onda de notícias — sejam elas positivas ou negativas.

Ainda que a exposição internacional das falhas e dificuldades enfrentadas pelo Brasil seja obviamente negativa em curto prazo, é importante entender que a amplificação deste ambiente tóxico pela mídia não pode, por si só, alterar a complexa imagem internacional de um país, muito menos sua “marca”.  Isto é verdadeiro para todos os países do mundo, o que serve de alívio ao Brasil.

De acordo com o consultor britânico Simon Anholt, a referência mais citada em estudos sobre a reputação internacional de países (e criador da expressão “nation branding”), somente um desastre completo com consequências de longo prazo poderiam realmente mudar a percepção global sobre o Brasil.

Neste sentido, é possível argumentar que o Brasil tem uma marca internacional consolidada, mas o que ela representa? Apesar de o Brasil ter se tornado recentemente uma potência emergente “na moda”, sua imagem central continua distante daquela de estabilidade, força econômica e relevância em assuntos globais.

Os estereótipos pelos quais o Brasil é percebido internacionalmente foram estabelecidos na segunda metade do século XX. Eles permanecem os mesmos desde então, independentemente da atenção positiva recebida pelo País da imprensa estrangeira nos últimos anos.

Segundo esta visão há tempos estabelecida, o Brasil é percebido como um país “decorativo”, um lugar festivo habitado por pessoas amigáveis, mas não uma nação admirada ou seguida em áreas como governança ou economia. “Decorativo, mas não útil”, conforme Anholt descreve. Um País de cultura excelente e de diversão, mas não um local para fazer negócios. Essa imagem “consolidada” tende a ser imune a eventos temporais, como as crises econômica e política.

Dados de ao menos três relevantes pesquisas internacionais sugerem que a crise não está alterando profundamente a percepção global sobre o Brasil.

A imagem do Brasil ainda é associada ao turismo. Foto: Christian Haugen / Flickr / Creative Commons

A imagem do Brasil ainda é associada ao turismo. Foto: Christian Haugen / Flickr / Creative Commons

O Nation Brands Index, índice que compila os 50 países mais admirados do mundo, coloca o Brasil como o 20ª nação mais conhecida do planeta. A cultura brasileira, o  seu povo e a beleza natural, afirma o estudo, são altamente bem percebidos no exterior. Entretanto, o resultado é bem diferente quando se trata de enxergar o Brasil como um local para negócios ou relevante em política internacional.

O Best Countries Index traça um quadro similar ao argumentar que o Brasil não é ideal para se viver, mas ainda assim é uma boa opção de lazer. Uma terceira pesquisa sobre a imagem e reputação dos países, realizada pela FutureBrand, mostra que mesmo que enfrentando uma intensa crise, o Brazil mantém a melhor “marca” da América Latina – apesar de sua imagem ser fortemente associada a clichês como futebol, samba, praias e café.

Atualizados anualmente, esses índices não costumam trazer grandes alterações na forma como os países são percebidos ao longo do tempo. Isso indica que a imagem internacional dos países não é tão volátil, ou propensa a mudanças repentinas devido à cobertura negativa da mídia estrangeira. Os estereótipos dos países são mais fortes do que instabilidades políticas ocasionais, por exemplo. Isso é verdade tanto para o Brasil, quanto para a Grécia, um país que passa por uma crise econômica muito mais profunda que a brasileira, mas ainda assim é associado a belezas naturais e a uma cultura globalmente admirada.

Pode parecer que a imagem do Brasil como uma potência emergente promissora está sendo destruída pela atual situação do País, mas a verdade é que essa imagem nunca chegou a se consolidar no imaginário internacional. A reputação brasileira no exterior sempre foi diferente daquela que o País tentou divulgar, ou daquela mostrada nas capas de revistas pelo mundo.

Apesar de a mídia internacional ter abraçado a narrativa de que o País estava “decolando”, e embora essa imagem não seja completamente imune a essas narrativas – que podem começar a afetar o que se pensa de um país caso se repitam por décadas -, a “marca Brasil” parece estar consolidada como um País de turismo, não um local para negócios.

Essa imagem “decorativa” pode soar como terrível, mas é similar à maneira como o mundo enxerga a Itália, por exemplo. Além disso, essa imagem pode ser uma fonte de coisas boas caso o País aprenda a explorá-la. Logo, a cobertura negativa da imprensa global sobre a crise brasileira, não altera fundamentalmente a forma como o mundo percebe o Brasil. Para o bem ou para o mal, a “marca Brasil” é mais estável do que pode parecer nas capas de revistas.

15 Responses to Como a crise afeta a imagem global do Brasil

  1. v cavalcante disse:

    depende do ponto de vista de cada investidor que esta olhando a forma de crise que esta mais pra politicagem um partido quer tomar o poder . e quem tá sendo prejudicado é o povo que sofre cada vez mais com a saúde desemprego e ma distribuição de renda.

  2. alexsandro disse:

    o brasil e muito grande o basta te para q mídias internacionais venho e fale o que querem e estampem em tudo quarte jornais ou meios de comunicações e ninguém esta preocupado com quem realmente esta sofrendo

  3. renato machado disse:

    ínfelizmente é nosso pais não adianta tirar um do poder e deixarem vários corruptos

  4. jailson disse:

    enquanto esses politicos ficam brigando entre si ,,, por cargos que não ganharam na eleiçaõ o brasil decola a falencia,,, cada dia que passa almenta tudo ,,,,,, so levamos tijolada na cara ,,, sobe tudo alimentos ,dollar,,, combustivel,,e a população a cada dia fica mais revoltada com nosso governo,,

  5. luis da silva disse:

    só sabemos que quebraram o país e jogaram no lixo!!! INCOMPETÊNCIA DE TODOS PRINCIPALMENTE DO PT QUE ESTAVA NO COMANDO!!!

  6. LUIZ disse:

    o problema não é a imagem lá fora. Ela só aparece lá porque fomos enganados na reeleição. Se não houvesse feito isso tão estaríamos em pauta no exterior

    • Gus Brum disse:

      A imagem la fora é o que fazem dentro. Mas Lula foi a pessoa que mais trabalhou para melhorar a imagem do Brasil. O maior exemplo disto foi o fato inédito de conquistar o direito de sediar as olimpíadas.

      Porem como se viu em 2013 as vésperas da Copa Confederações, com as passeatas e a principalmente as vaias a presidenta, se viu que a direita no Brasil é uma direita canibal , capaz de comer até as propinas mãos se for necessário.

      Eventos únicos como uma Copa do Mundo, ou especialmente umas olimpíadas deveriam significar uma união de todos em torno da imagem externa do pais.

      é o que sempre acontece em todos os lugares onde se organiza este tipo de evento.

      Menos no Brasil, no Brasil que parte da elite ainda não cresceu o suficiente para abandonar a mentalidade de Republica Bananeira, isto não aconteceu.

      Em pleno ano das Olimpiadas, a oposição no Brasil proporcionou ao mundo um dos episódios mais dantescos da historia recente do pais.

      No programa Americano “Last Week Tonight”, John Oliver , o apresentador fez piada com a crise Brasileira dizendo que alguns dos que queriam o impeachment da presidenta, eram acusados até de homicídio.

      Quando ele disse isso, toda a plateia caiu na gargalhada, pois seria inadmissível tanto nos Estados Unidos, como Canada, ou Inglaterra alguém ser acusado de homicídio e seguir trabalhando como congressista como se fosse a coisa mais normal do mundo.

      Assim, que o Brasil, perdeu uma oportunidade UNICA de mostrar ao mundo sua pujança, sua criatividade, perdeu uma oportunidade de ser visto pelos outros países como um pais capaz, um pais que cumpre prazos, e acima de tudo é confiavel.

      Com o episodio do impeachment justamente a poucos meses da Olimpíada, a direita Brasileira mostrou que eles não estão interessados na imagem do Brasil la fora, eles não estão interessados em divulgar o pais. Pelo contrario, seus interesses sempre vem primeiro. E sendo canibal, ela não tem o mínimo problema de comer a propia mão se for necessário. Assim como em 1889, a elite não teve o mínimo problema em desmanchar do dia para a noite a monarquia que havia funcionado tão bem por mais de 60 anos, e também em 64, não tinham problema nenhum em dividir o pais em dois “caso fosse necessário”, em 2016 a elite, ou parte dela, mascarados de direita, transformaram o Brasil, não num palco para as olimpíadas, mas num circo.E se duvidar são capazes de tocar fogo na lona.

      • Edson disse:

        Bonito textão mas aparelharam e maquiáram a eleição pra benefício propio do vício no poder como todo esquerdista…Lula tentou criar 3o mandato e se possível viraria nosso fidel Castro!Como minha mãe já dizia: mentiram ter perna curta, grã ot colhe oq plantou

        • vc é mais um tremendo reacionario,eu mesmo pessoalmente gostaria que o SR lula ou mesmo sua cria Dilma agissem como putin apenas dez(10) % tudo isso não estaria acontecendo,e mesmo que acontecido estivesse a escala do absurdo seria bem menor.OBS;A PROPOSITO NÃO SOU E NEM NUNCA FUI ELEITOR DO PT,PSDB,ou outro qualquer(P) principalmente disto quem chamam e clamam PMDB( confesso que estou falhando profundamente por não conseguir decifrar em qual categoria essa sigla se encaixa(HIENA,ABUTRE,MORCEGOS,HIV-CIDA,que me perdoem os os seres supra citados mas não encontrei adjetivos mais apropriados) a pergunta que não cala é, até quando suportaremos isso?.

  7. Evaldo F.Rebouças disse:

    Tudo isto por ausência e desinteresse político do Povo, conforma-se com migalhas desde o princípio da história, foram colonizados recebendo espelhos, depois terras e escravos, sendo amigo do imperador e asseclas do Rei, cargos na corte, hoje continua recebendo tijolos, cimento, cargos em comissão, indicação, encaminhamentos para consultas medicas, em fim culturalmente corrompido e instalado de vez pelo apelo consumista, individualismo, egoísmo tudo que o Ser Humano carrega em si e potencializado pela ambição

    • Sandro Tecnus disse:

      Odeio admitir, mas é a pura verdade.

    • é meu amigo realmente eu concordo em parte com vc na colonização eles, muito esperto logo perceberam,como seria fácio enganar quem não tem conhecimento algum- mas na época não tinham msm hoje tem os que adoram ser manipulados por algum espertalhão e tem os que
      são empedidos de chegarem ao conhecimento e desistem pelo meio do caminho por realmente não terem condição msm e quando aparece auguem pra dar um empurrãozinho ai se levanta quadrilhas de bandidos e os empende, ai fica difico

  8. roberto disse:

    Nos dias atuais de posse de um facebook e de tempo muitos se acham cultos o suficiente para ofenderem a pessoas e suas idologias e ate xingarem quem votou em algum político .
    Assim estes intelectuais de posse de seus xingamentos se tornam Herois da Internet
    Ainda bem que tudo passa e estes mesmos daqui alguns dias estarão com os rabos entre as pernas com vergonha do que fizeram para si mesmos
    Como disse o Color o tempo é o sr da razão .

  9. roberto disse:

    O Brasil é reconhecido muito pelo que sua midia de baixo nível relata como sempre em materias de capa . A democracia brasileira esta comprometida pelos grandes jornais revistas e canais de Tv´s que por pertencerem a políticos não tem isenção para falar nada . tome-se como exemplo Panama papers onde a Globo é citada e simplesmente deixa de divulagar já que não lhe interessa.

  10. Como assassinos do PSDB vão as sinagogas, templos religiosos falar em moralidade como Geraldo Alckmin, Deus nos de coragem para as desgraças que virão.

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