Política As raízes do conflito na Ucrânia
Manisfestantes em barricada na Praça Maidan, Kiev. Imagem: Mstyslav Chernov / Wikimedia Commons

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As raízes do conflito na Ucrânia

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Há décadas, divisões ideológicas impedem estabilidade política e econômica do país

A atual crise na Ucrânia teve início oficial em fevereiro de 2014, quando manifestantes invadiram a Praça Maidan na capital Kiev. Eles protestavam contra a decisão do então presidente Viktor Yanukovych de não assinar um acordo com a União Europeia (UE) no final de 2013. Como resultado, Yanuvych deixou a presidência e fugiu de Kiev um ano antes do término de seu mandato. Com o vácuo de poder criado pela situação, a Rússia passou a interferir mais ativamente no país. O posicionamento russo (incluindo a anexação da região da Crimeia) desencadeou um dos mais sérios conflitos da atualidade no leste europeu. Iniciada há mais de um ano – e aparentemente longe de um fim -, a guerra levanta questões sobre as reais causas das tensões, as implicações na dinâmica de poder da região e possíveis caminhos a serem trilhados pela Ucrânia em um futuro próximo.

Em novembro de 2013, a Ucrânia encontrava-se à beira de uma forte crise econômica e o presidente Yanukovych enfrentava um dilema: firmar um acordo com a UE ou aceitar um empréstimo de cerca de US$15 bilhões da Rússia. A aproximação com a Rússia sinalizaria uma movimentação para formar a chamada União Eurásia, integrada por Rússia, Cazaquistão e Bielorrússia. O acordo com a UE, por sua vez, extrapolava o âmbito comercial, partindo do pressuposto de que a Ucrânia aderiria também a princípios e valores políticos do bloco europeu, segundo o professor Lubomyr Hajda, do Instituto Ucraniano da Universidade de Harvard. O então presidente, cujas alianças políticas eram pró-Rússia, não aderiu ao acordo com a UE, acirrando divisões pré-existentes dentro do país.

Para entender melhor o porquê da recusa de Yanukovych, é preciso olhar para a história do país, desde sua separação da União Soviética (URSS) em 1991. Pode-se afirmar que a opinião pública na Ucrânia é extremamente dividida em relação a alianças políticas e econômicas. Fatores que influenciam essas divisões são as diferentes etnias, idiomas, religiões, identidades históricas e aspectos culturais.

O oeste do país juntou-se ao que hoje é a Ucrânia em 1940, após dois séculos sob domínio do Império Austro-Húngaro e, por um período, da Polônia. Nesta região, o idioma predominante é o ucraniano, a religião é católica grega e, devido a forte influência do ocidente, a população é majoritariamente pró-integração com a União Europeia. Por outro lado, as regiões leste e sul integraram o país imediatamente após a guerra civil Russa, em 1920. Nestas regiões o principal idioma é o russo e as inclinações políticas da população estão aliadas às da Rússia.

A Ucrânia passou a existir de fato como Estado após 1991, quando a população votou em um plebiscito que tornou o país independente do bloco soviético. Houve também, naquela, ocasião, eleições que escolheram como presidente Leonid Kravchuk, ex-parlamentar comunista. Após a independência, houve uma série de crises políticas e econômicas, cujos principais motivos foram as divisões internas, como afirma Eugene B. Rumer, Diretor do Programa de Russia e Eurasia do Carnegie Endowment for International Peace.

Rumer argumenta que a antiga elite oligárquica dominante na política desde a época da URSS não foi removida com a independência, tendo sido apenas substituída majoritariamente por uma nova geração que, apesar de ter assumido a bandeira de nacionalista, ainda defendia os interesses soviéticos. Segundo o autor, os líderes do Rukh – um dos mais importantes movimentos nacionalistas do país – não buscaram criar um partido de oposição ao do então presidente Kravchuk. Como resultado, as antigas elites permaneceram no poder e reformas necessárias não ocorreram, levando à forte estagnação da economia do país. A instabilidade econômica e a consequente crise agravaram ainda mais as disputas entre as regiões.

Observando a história e a formação do país, é possível afirmar que a disputa entre as regiões faz parte de um questionamento muito maior sobre o que é de fato a Ucrânia. Rumer argumenta que, sem uma história mais densa de soberania, identidade nacional e noção de Estado, ambas as regiões leste e oeste possuem legitimidade para tentar definir a agenda doméstica e externa do país.

À caminho da Revolução Laranja

Em sua primeira década como um país independente, a Ucrânia viveu forte instabilidade econômica oriunda de divergências internas, culminando na chamada Revolução Laranja em 2004.

Protestos durante a Revolução Laranja em 2004. Imagem: Liliya / Creative Commons / Flickr

Protestos durante a Revolução Laranja em 2004. Imagem: Liliya / Creative Commons / Flickr

Em 1994 o então presidente Kravchuk perdeu as eleições presidenciais para Leonid Kuchma, candidato apoiado massivamente pelo leste pró-Rússia. O quadro político ucraniano – que tinha atingido certa estabilidade com a formação de uma aliança democrática de centro da qual faziam parte representantes de diferentes regiões do país – sofreu grande mudança no segundo mandato de Kuchma (entre 1999 e 2004). É importante ressaltar que tais representantes, independentes de ideologias políticas, vinham majoritariamente de elites oligárquicas dominantes em suas respectivas regiões.

Durante o segundo mandato de Kuchma, no entanto, tudo mudou. A aliança nacional democrata de centro se dissolveu, houve um fortalecimento de uma oposição não comunista no país, além de um grave escândalo de corrupção chamado “Kuchmagate”.

O escândalo trouxe a público gravações e documentos que provavam uma série de irregularidades na administração de Kuchman, como vendas não autorizadas de armas no exterior, fraude em eleições passadas, perseguição e violência contra jornalistas e políticos de oposição, abuso de autoridade, desvio de verbas públicas, entre outros. Kuchma acusou a oposição e outros países de forjar provas, contudo, estas foram consideradas verídicas pela maioria da população.

A Revolução Laranja iniciou oficialmente com manifestações após as eleições presidenciais de 2004, entre Viktor Yushchenko (oposição) e Viktor Yuanukovych (candidato apoiado pelo então presidente Kuchma), terem sido consideradas como fraudulentas e ilegítimas. Apesar das pesquisas indicarem claramente uma vitória de Yushchenko, o resultado oficial declarou Yanukovych como vencedor e os protestos eclodiram em diversas regiões do país. Após novas eleições em dezembro do mesmo ano, Yushchenko, foi finalmente declarado presidente.

A Revolução Laranja, no entanto, foi muito mais do que uma rejeição às fraudes eleitorais de 2004. Foi um clamor por mudanças no governo liderado há décadas pelos mesmos representantes de elites oligárquicas e a demonstração de insatisfação, especialmente, com os escândalos de corrupção que envolveram diversos membros do governo ucraniano no Kuchmagate.

Analisando a história da Ucrânia desde 1991, observa-se que as diferenças ideológicas, culturais, religiosas e de identidade foram transferidas para a esfera pública pelas elites de ambos os lados, causando instabilidade política e econômica no país. As poucas tentativas de unificação, observadas principalmente na aliança democrática de centro formada em 1998, não tiveram continuidade e foram dissolvidas devido aos interesses internos de cada partido envolvido. A ausência de um projeto bem sucedido de unificação nacional – por falta de vontade política ou até mesmo da própria população – é um dos principais motivos para a eclosão não só da Revolução Laranja, mas também do atual conflito na região.

Este é o primeiro texto da nova série do Politike sobre a Ucrânia. O próximo artigo abordará os anos após a Revolução Laranja, as raízes e o desenrolar do atual conflito.

26 Responses to As raízes do conflito na Ucrânia

  1. Carmino disse:

    Às vezes, eu não concordo com a CartaCapital, mas dessa vez a autora Vivian Alt está corretíssima nas suas avaliações. Além disso, ela dá uma perspectiva inteiramente diferente daquela a qual estamos acostumados, e tem ainda a elegância de responder a comentários superficiais de críticos antiamericanos cheios de fanatismo.
    Vivian Alt, continue escrevendo desta forma pois mesmo que alguns não concordem a democracia garante-lhe o direito de expressar-se livremente.

  2. Aloysio Neves disse:

    Entender o mudo através da política é mais difícil do que parece. As estruturas de poder polarizadas em muito mais que o binômio maniqueísta “direita ou esquerda” propõe uma dialética que obscurece a realidade . No que acreditar?!

    • Mar Philos disse:

      também acho que este é o grande desafio para se compreender a Política. .. não negar o “binômio” esquerda-direita, mas ir além. .. mesmo correndo o risco de julgar a Democracia como um mero “lugar” de embates ideológicos e interesses incompatíveis. ..

  3. Lia Alt Pereira disse:

    Continue nos informando sobre a Ucrânia com a mesma isenção de sempre.

  4. Cara Vivian:

    1) Seu ponto de partida é muito interessante: tomar a dinâmica interna e histórica do país e não partir de uma análise pronta, de tipo “ocidente” x “oriente”, e tomar esse “conflito” como ponto de partida e de chegada da análise. É mais fácil culpar imperialismos, conspirações e achar que centros de poder são tão absolutos assim ao ponto de podermos desprezar a história dos países que são território e protagonistas dos conflitos. Aguardando agora os outros textos.

    2) Também é comovente sua paciência e disposição ao debate em relação aos leitores que, no fundo, acreditam que todos os problemas das relações políticas internacionais se resumem aos “maquiavelismos” entre ocidente e oriente; no fundo leitores com posturas ideológicas pró-americana ou, no mais das vezes, anti-americana, posturas que refletem a miséria ideológica que grassa o país. Por responder educadamente a estes leitores, de forma didática mesmo, eu realmente te parabenizo.

  5. rogerio daniel disse:

    Texto que induz o leitor desinformado a crer que a atual situação da Ucrânia é oriunda da anexação da região da Criméia pela Rússia. Se este é o 1° de 3 textos, requer rever sua posição no conflito atual e esclarecer a posição e atuação dos EUA e União Europeia que levou ao caos a Ucrânia antes da anexação . Seu texto é parcial e tendencioso ao Ocidente

  6. Caio disse:

    Parabéns pelo post. E é comum essas críticas mesmo… essa galera quer ouvir que a culpa é “duzamericanus” e da CIA. Se n disser isso, despertará a ira deles.

  7. Renato disse:

    Dado a complexidade do texto acabamos por deixar aspectos importante de fora sem darmos conta disso. Os comentários pós texto não são menos importantes, portanto, merecem créditos. Quando escrevo algo partindo de fontes secundárias não garante a veracidade dos fatos. Se faz necessário, para um texto ser o mais possível verídico, a presença daquele ou daquela que está interessada num determinado assunto.

  8. Excelente texto!
    Parabéns

  9. xibaraua disse:

    Que besteira de texto: “mas a provas foram consideradas verdadeiras pela população”. O que isso quer dizer? Nada. E o papel dos meios de comunicação, as agências de inteligência? É a mesma sopa que não diz coisa com coisa de sempre.

  10. Paulo disse:

    Depois do livro sobre a Coreia do Norte quando entrevistou dissidentes na Coreia do Sul não acredito mais em nada desta autora. Devem deixar de ser parciais.

    • Vivian Alt disse:

      Paulo,

      Eu adoraria ter tido a oportunidade de entrevistar os exilados e ouvir em primeira mão aquelas estórias, mas quem fez as entrevistas e quem de fato escreveu o livro “Nothing to Envy”, não fui eu, foi a escritora Barbara Demick.

      Sobre a parcialidade deste texto de Ucrânia, caso tenha interesse nas fontes usadas, é só clicar nos links que verá 3 artigos do ‘Communist and Post-Communist Studies Journal’ e do ‘Journal of Communist Studies and Transition Politics’.

      No mais, obrigada por acompanhar o blog tão assiduamente.

      Vivian

      • Paulo Swarowsky disse:

        Vivian você narra os fatos sempre na visão de nossa imprensa, dita “independente”, ocidental. Você não fala nada do trabalho sujo da Cia provocando o golpe de estado, afinal o governo anterior foi eleito e tinha proposto novas eleições.
        Ainda hoje li que o atual governo de Kiev proibiu todas as notícias e filmes russos. bem, o leste e sul são russos oriundos, será que vão aceitar isto pacificamente? Inclusive uma ds primeiras medidas deste governo de Kiev foi proibir a língua russa, depois revogada.
        Qualquer um hoje vê que a única solução para este pais é dividi-lo: sul e leste (russos) e outro o oeste (são muito ligados aos poloneses).

    • Filho, pelo amor de Deus!!!! Você não entendeu que a autora estava resenhando um livro? Que não foi a Vivian Alt que escreveu o livro? Senhor!!! Resenha de livro: resumo com comentários críticos do livro que indicam se o livro contribui para um determinado assunto ou não. Lição básica de primeiro semestre de faculdade de qualquer coisa! Volta lá e lê!

  11. Decepcionada com a Carta Capital. Que texto tendencioso! Então apenas a Rússia influencia a política na Ucrânia? Os Estados Unidos e a UE não tiveram a ver com a Revolução Laranja? Tá bom então…

    • Vivian Alt disse:

      Manuela,

      Em que momento o texto afirma que apenas a Rússia teve influência na Revolução Laranja? O foco, muito pelo contrário, é a dinâmica interna de poder e como essa dinâmica levou à Revolução.

      O artigo tentou fugir de análises superficiais que afirmam que os problemas na Ucrânia são frutos meramente da disputa internacional entre Ocidente (EUA e UE) e Rússia. Talvez você não tenha entendido isso, mas é normal, pois analisar a crise com esse olhar é o caminho que a maioria segue mesmo.

      O que eu acho interessante é como as pessoas não percebem que creditar os problemas na Ucrânia exclusivamente a essa disputa externa só dá a entender que a dinâmica interna no país não é importante. Quando leio esses comentários e análises superficiais concluo que as pessoas acham que a Ucrânia é um mero fantoche nas mãos de países como Rússia, EUA e membros da UE.

      Quer dizer então que a população, os partidos, as oligarquias (de ambos os lados como mencionado no texto) não possuem interesses e opiniões próprias? É claro que existe influência externa na política do país e para isso houve a análise destas influências na construção das identidades de cada região. Mas creditar tudo à disputa de poder entre Ocidente e Rússia é, não somente simplista, como também errado.

      Quanto a ser tendencioso, eu só posso lhe dizer que não posso inventar fatos históricos. Desculpa, mas tendencioso seria ignorar o fato de que a Revolução começou devido a fraudes eleitorais na qual o vencedor foi o candidato da região Leste, que houve séria crise econômica no país durante os anos que precederam à Revolução, ou ainda omitir um escândalo de corrupção da proporção do Kuchamagate. Como você lerá (ou não) o próximo texto falará justamente dos problemas que ocorreram no mandato de Viktor Yushchenko, candidato do Oeste pró-ocidente.

      Obrigada

      • “Com o vácuo de poder criado pela situação, a Rússia passou a interferir mais ativamente no país”.

        “O posicionamento russo desencadeou um dos mais sérios conflitos da atualidade no leste europeu”.

        “Rumer argumenta que a antiga elite oligárquica […] ainda defendia os interesses soviétivos”.
        “Em 1994, o então presidente […] perdeu as eleições presidenciais para Leonid Kuchma, candidato apoiado massivamente pelo leste pró-Rússia”

        Você não estava focando na dinâmica interna do país?

        “Houve um fortalecimento de uma oposição não comunista”

        Então de um lado estão os Russos comunistas (?) e do outro os sem nacionalidade não-comunistas.

        “Kutchma acusou a oposição e outros países de forjar provas, contudo, estas foram consideradas verídicas pela maioria da população”

        Eu acho que isso nem precisa de comentários…

        “A Revolução Laranja iniciou […] após as eleições presidenciais […] terem sido consideradas como fraudulentas”

        Por quem? Aposto que pelos não-russos não-comunistas…

        “Protestos eclodiram em diversas regiões do país”

        Eclodiram no leste ucraniano também? Acho que não…

        “A Revolução Laranja, no entanto, foi muito mais do que uma rejeição às fraudes eleitorais de 2004. Foi um clamor por mudanças no governo liderado há décadas pelos mesmos representantes de elites oligárquicas e a demonstração de insatisfação, especialmente, com os escândalos de corrupção que envolveram diversos membros do governo ucraniano no Kuchmagate”. 

        A culpada sempre é a corrupção…

        Eu gostaria de ter lido um pouco mais sobre essa oposição. O que que ela é além de não-comunista? Não há problemas de classe na Ucrânia? Tudo é uma questão cultural. Talvez os comunistas do leste estejam precisando de um pouco da liberdade norte-americana…

        • Vivian Alt disse:

          ““Com o vácuo de poder criado pela situação, a Rússia passou a interferir mais ativamente no país”.
          “O posicionamento russo desencadeou um dos mais sérios conflitos da atualidade no leste europeu”.
          “Rumer argumenta que a antiga elite oligárquica […] ainda defendia os interesses soviétivos”.
          “Em 1994, o então presidente […] perdeu as eleições presidenciais para Leonid Kuchma, candidato apoiado massivamente pelo leste pró-Rússia”
          Você não estava focando na dinâmica interna do país?”

          Talvez você não tenha lido (ou tenha deliberadamente ignorado) a parte do meu comentário anterior onde eu disse “É claro que existe influência externa na política do país e para isso houve a análise destas influências na construção das identidades de cada região. Mas creditar tudo à disputa de poder entre Ocidente e Rússia é, não somente simplista, como também errado.”

          A palavra focar significa dar mais atenção a alguma coisa e não falar exclusivamente da mesma. Logo, o fato de eu ter incoporado elementos externos à análise, não significa que o foco do texto não seja a dinâmica interna, como foi feito nos parágrafos sobre formação de identidades na Ucrânia e sua relevância para a Revolução Laranja.

          ““Houve um fortalecimento de uma oposição não comunista”
          Então de um lado estão os Russos comunistas (?) e do outro os sem nacionalidade não-comunistas.”

          Obviamente eu estava me referindo ao grupo de oposição liderado por representantes da região oeste, cuja ideologia é mais próxima a do Ocidente e não aos ideiais comunistas. As vezes há a necessidade de tornar o texto mais dinâmico e sem repetições. Me desculpe se você realmente não entendeu a frase, achei que ela era um tanto óbvia.

          ““Kutchma acusou a oposição e outros países de forjar provas, contudo, estas foram consideradas verídicas pela maioria da população”
          Eu acho que isso nem precisa de comentários…”

          As fontes usadas nessa parte incluem (mas não estão limitadas a) o Journal of Communism and Post-Communism Studies (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0967067X10000401 e http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0967067X0500022X) e o Journal of Communist Studies and Transition Politics(http://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/13523270701194839).
          Sinta-se à vontade para conferir.

          ““A Revolução Laranja iniciou […] após as eleições presidenciais […] terem sido consideradas como fraudulentas”
          Por quem? Aposto que pelos não-russos não-comunistas…”

          Não somente pela pesquisas que indicavam a vitória de Yushchenko, como você deliberadamente omitiu na citação acima, mas também pela comunidade internacional que tem mecanismos para monitorar eleições.

          Eu já trabalhei monitorando eleições pela ONU e depois das coisas que eu vi acontecer, posso afirmar que se os observadores internacionais consideraram as eleições fraudulentas, é porque elas foram grotescamente fraudulentas.

          ““Protestos eclodiram em diversas regiões do país”
          Eclodiram no leste ucraniano também? Acho que não…”

          Estranho seria se alguém estivesse protestando porque seu candidato ganhou (mesmo que ilegalmente). Eu não escrevi “protestos eclodiram em todas as regiões do país”, logo não entendi qual o seu problema com a frase.

          ““A Revolução Laranja, no entanto, foi muito mais do que uma rejeição às fraudes eleitorais de 2004. Foi um clamor por mudanças no governo liderado há décadas pelos mesmos representantes de elites oligárquicas e a demonstração de insatisfação, especialmente, com os escândalos de corrupção que envolveram diversos membros do governo ucraniano no Kuchmagate”. 
          A culpada sempre é a corrupção…”

          O propósito deste comentário é diminuir a corrupção como um problema em todos os países ou diminuir a importância deste caso de corrupção especificamente? Caso que curiosamente envolveu a liderança pró-Rússia…

          ‘“Eu gostaria de ter lido um pouco mais sobre essa oposição. O que que ela é além de não-comunista? Não há problemas de classe na Ucrânia? Tudo é uma questão cultural. Talvez os comunistas do leste estejam precisando de um pouco da liberdade norte-americana…”’

          Adoraria analisar o assunto com mais profundidade, mas infelizmente esse é um blog e é preciso saber priorizar. No entanto, as fontes utilizadas estão disponíveis nos links dentro do corpo do texto. Nelas você poderá ler e aprender mais sobre o que quiser…

  12. Jacqueline Amaral disse:

    Esse texto é uma aula. Claro e direto. Já aguardo o próximo!
    Belo trabalho

  13. Wladimir Teixeira de Souza Rosa disse:

    Texto absurdo ! Parte de uma premissa falsa : o que houve na Ucrânia foi um golpe de estado patrocinado pelos EUA e UE; a Crimea não foi “anexada” pela Rússia, houve um plebiscito e o povo optou ser parte da federação Russa. Hoje a Ucrânia está destruída, atolada em uma dívida impagável, (des)governada por estrangeiros e numa escalada de guerra que acabará com o que restou daquele belo país …

    • Vivian Alt disse:

      Wladimir,

      talvez se você tivesse lido o texto por inteiro teria entendido que este é o primeiro de uma série de três textos que estamos escrevendo sobre Ucrânia.

      A questão da Crimeia não foi abordada neste primeiro texto, mas certamente será nos próximos. A menção teve o propósito de apenas introduzir o atual conflito e contextualizar o leitor…introdução é algo importante nos textos. Bem como tratar do assunto da forma mais rica possível, trazendo os aspectos históricos que mais influenciaram a situação atual.

      Talvez se você tivesse lido até o final teria visto que este artigo terminou falando sobre Revolução Laranja e, logo, ainda falta um pouco pra chegar no plesbicito da Crimeia. Mas falaremos disso em breve…

      Obrigada

      • xibaraua disse:

        Auto lá, moça. Você está construindo uma narrativa da qual não vai sair e não pode inventar fatos nem romper a sintaxe histórica. Se isso ocorre, até onde sei, e você também, é mentir.

        • Vivian Alt disse:

          Ao contrário de muitas pessoas, eu gosto de ler os dois lados e entender a situação sob olhares e perspectivas diferentes. Ao contrário de muitas reportagens sobre assuntos internacionais na mídia brasileira, nosso blog escreve artigos baseados não só em matérias de jornais, mas também de artigos acadêmicos.

          As fontes usadas nessa parte incluem o Journal of Communism and Post-Communism Studies e o Journal of Communist Studies and Transition Politics(já lhe passei os links na outra resposta). Sinta-se à vontade para conferir.

          Repetindo o que escrevi em outros comentários: Mentir seria ignorar as fraudes eleitorais de 2004 na qual o vencedor foi o candidato da região Leste, ou não falar sobre a séria crise econômica no país durante os anos que precederam à Revolução, ou ainda omitir um escândalo de corrupção da proporção do Kuchamagate.

          Apenas para avisar que não temos por hábitos autorizar comentários como o seu, de tom agressivo e ofensivo a quem quer que seja. Portanto, se quiser que seus comentários continuem a ser aceitos, preze pela educação daqui pra frente.

    • Caio disse:

      Wladmir, não foi bem assim. Houve o plebiscito sim, mas a anexação na prática já tinha acontecido antes. No caso da Crimeia houve intervenção de tropas russas (lembra quando eles tomaram quartel por quartel?), fato primeiramente negado mas depois admitido pelo próprio Putin. Só por observação, creio que provavelmente no futuro ele vai admitir que enviou tropas para a região de Donbass também…

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