OxPol, Política A grande mídia alimentou a polarização no Brasil? 
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A grande mídia alimentou a polarização no Brasil? 

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Apesar de suas falhas profundas, jornais e emissoras não podem ser culpados pelo ambiente político tóxico que tomou conta do País – o quadro é muito mais complexo

Este é o segundo texto da série especial produzida pelo Politike e pelo OxPol sobre a crise no Brasil. 

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Como qualquer país com uma democracia minimamente funcional, o Brasil tem uma relação ambivalente com sua grande mídia. E, como em todos os países com uma economia de mercado minimamente funcional, a grande mídia brasileira tem sido afetada por plataformas digitais personalizadas. Esses dois elementos, e como eles se emaranharam, são essenciais se quisermos compreender o papel do sistema de mídia na agitação social que toma conta do Brasil desde o ano passado. Meu argumento é simples: apesar de suas falhas profundas, jornais e emissoras não podem ser culpados pelo ambiente político tóxico que tomou conta do País – o quadro é muito mais complexo.

Pela primeira vez na história brasileira, a narrativa de uma grave crise política tem sido construída por um sistema de mídia incrivelmente fragmentado. Isso, acredito, desafia apontares de dedo simplistas e afeta o debate sobre quem é de fato moralmente responsável pela erosão de uma comunalidade sempre frágil.

Algumas ressalvas iniciais. Primeiro, a maior parte do que vou dizer é baseada apenas em minha avaliação pessoal e observação crítica. Até onde sei, nenhum trabalho acadêmico (com algumas exceções, conforme destaco abaixo) explorou essas questões sistematicamente. Em segundo lugar, minha análise será focada na Operação Lava Jato, a origem imediata da crise política estrutural brasileira, mas não abordará os laços entre a mídia e a crise econômica – que é, ao menos, tão importante quanto a crise política. Finalmente, minhas opiniões são inevitavelmente moldadas pela minha experiência passada como jornalista na Folha de S.Paulo.

Grande mídia: concentrada, enfraquecida, odiada

O mercado dos meios de comunicação brasileiro é altamente concentrado, sabemos. Há três principais emissoras de televisão nacional: Globo, Record e SBT. Similarmente, a imprensa, com uma audiência relativamente minúscula, é dominada por três tradicionais jornais: Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo. O mercado das revistas semanais é ainda menos dinâmico. Apenas duas publicações (Veja e Época) podem se dizer relevantes em termos de circulação. Jornais e emissoras possuem seus próprios sites, com enorme audiências. Mas, apesar de algumas iniciativas interessantes, não há nenhuma empresa robusta de jornalismo online nativo.

Devemos também levar em conta que a grande mídia (especialmente os veículos impressos) foi fortemente atingida por enormes dificuldades financeiras nos últimos quatro anos. Enfrentando uma crise econômica geral, e sua incapacidade específica de competir com Facebook e Google por anúncios online, jornais e revistas (e algumas emissoras) realizaram demissões em massa, dispensando alguns de seus mais experientes repórteres e editores.

Ato contra o impeachment de Dilma Rousseff, em São Paulo, em 18 de março. Foto: Roberto Parizotti/ CUT

Ato contra o impeachment de Dilma Rousseff, em São Paulo, em 18 de março. Foto: Roberto Parizotti/ CUT

Se historicamente a concentração de mercado cria uma homogeneidade inter-empresas, demissões têm aprofundado um tipo de homogeneidade no interior das redações: menos pessoas, menos diversidade, menos incentivos para repórteres discordarem de ordens de editores e para editores resistirem a diretrizes impostas de cima para baixo. Não surpreende o declínio perceptível na qualidade técnica (escrita clara, análise sofisticada) e a pura falta de mão de obra. Contratar jornalistas sem experiência, como alguns veículos têm feito, não é o bastante. A mais importante crise política brasileira em décadas tem sido coberta por uma imprensa particularmente enfraquecida.

Isso explica, em parte, o papel passivo que a grande mídia teve em toda a cobertura da Lava Jato. Não recordo de um fato importante que tenha sido descoberto por jornalistas durante o escândalo. Como já se disse, o que tem sido feito é mais próximo de um “jornalismo sobre uma investigação” do que “jornalismo investigativo”. Repórteres basicamente trouxeram à tona o que agentes da Polícia Federal e procuradores descobriram, com maior ou menor qualidade. Até mesmo a dinâmica típica deste tipo de cobertura, na qual os “melhores repórteres” são os que possuem as melhores fontes entre os investigadores, desempenhou um papel menor na Lava Jato.

Isso porque um considerável número de documentos e decisões judiciais foram tornadas públicas instantaneamente por meio de um sistema online operado pelo Judiciário. Uma certa transparência disruptora foi a regra – uma tática raramente analisada que mudou a escala do escândalo, na medida em que publicizou um oceano de informação ao qual não apenas jornalistas profissionais tiveram acesso, conforme digo abaixo.

Essa passividade relativa não é equivalente à neutralidade – isso não existe. Mas diferentes veículos têm diferentes vieses.

A Veja está no extremo ruim do espectro. Em espiral negativa há pelo menos uma década, a ainda poderosa semanal se assemelha hoje a um tabloide barato. A revista já publicou histórias delirantes e repugnantes com a única intenção de atacar pessoalmente a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Outro momento de considerável ridículo ocorreu quando a GloboNews cobriu alegremente os imensos protestos contra o governo em uma longa transmissão, quase ininterrupta e acrítica. O Jornal Nacional também gastou uma quantidade de tempo absurda expondo as conversas telefônicas entre Dilma e Lula, sem questionar a forma como elas foram expostas por Sergio Moro, juiz responsável pela Lava Jato.

Outros veículos de comunicação têm, contudo, sido mais equilibrados e suas posições anti-governo são mais matizadas. A Folha de S.Paulo e O Globo, por exemplo, têm sido ferozes críticos de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados e nemesis de Dilma. A Folha publicou um editorial criticando exageros de Sergio Moro.  No último domingo, em editorial de capa, o jornal pediu, em suma, novas eleições — alinhado-se involuntariamente a grupos de extrema esquerda. E, de maneira geral, suspeitas sobre opositores do governo também receberam alguma atenção destas publicações.

Parece existir entre os donos de veículos de comunicação a percepção de que Dilma é tragicamente inepta, e seu impeachment, ainda que não ideal e possivelmente ilegal, poderia ao menos destravar a atual paralisia do governo. Mas, diferentemente de eventos históricos passados, como o golpe militar que inaugurou a ditadura  militar (1964-1985), a grande mídia tem sido, em geral, menos partidária, menos violenta e mais ambígua.

Ironicamente, isso impulsionou as críticas a ela. Para apoiadores do governo, a grande mídia é movida por um preconceito classista contra Lula e seus suposto projeto popular. Para atores anti-governo, ela está no bolso do Planalto, e qualquer eventual ambiguidade quanto à necessidade do impeachment é um pecado capital. Todos  amam odiar a grande mídia.

Por que? Há algumas razões, afora os problemas já citados.

Primeiro, o Brasil, assim como outros países, tem assistido à ascensão de um zeitgeist anti-establishment. Essa crise de representatividade também afeta a mídia: quem é a imprensa para definir o que é relevante?, questionam. Segundo, a mídia brasileira tem um péssimo histórico quando se trata de defender valores democráticos, conforme o golpe de 1964 demonstra. Terceiro, nos esquecemos que a compreensão das pessoas do noticiário é tão enviesada quanto à criação deste pelos jornalistas. Nós, leitores, entendemos o que queremos, e facilmente esquecemos a notícia que confronta os nossos preconceitos contra um jornal ou uma emissora. E, por último, as pessoas possuem agora um sistema de mídia muito mais fragmentado a sua disposição.

Passo a focar neste último elemento, o qual considero um componente crítico da crise.

Protesto pelo impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

Protesto pelo impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

Plataformas: fragmentadas, fortalecidas, adoradas

Em grande medida, a crise tem sido experimentada por meio de e nas plataformas digitais – o que revela algo sobre os descontentes, uma vez que mais de 40% da população brasileira não tem acesso à internet.

Sim, a grande mídia é quem inventou a crise como um “fato” público. E esse grande “fato”, constituído por milhares de “fatos” menores, tem sido uma espécie de fonte oficial de informação, sendo compartilhado, curtido, encaminhado e “memetizado” milhões de vezes. Aqui reside parte da ambivalência que mencionei no início deste texto: o mesmo leitor que odeia a Globo, por exemplo, avidamente utiliza a Globo como uma fonte de informação confiável de notícias sobre a crise. Sem, imagino, perceber a extensão da contradição do ato.

Parece claro que foram os jornalistas profissionais, e seus patrões, quem traduziram a investigação em uma sequência reconhecível de eventos, em uma narrativa pública, externa e coletiva. É importante, no entanto, notar que eles fundamentalmente não possuem o controle final sobre essa narrativa. Na verdade, a própria ideia de que há uma narrativa monolítica sobre a crise é risível, quando se considera o complexo e insanamente fragmentado mosaico que chamamos de “mídias sociais”.

As coisas mudaram dramaticamente. Primeiro, a Internet brasileira é populada por uma quantidade inumerável de atores altamente politizados (alguns deles ligados a diferentes partidos e grupos políticos organizados). Presentes em todas as plataformas, e representando todos os lados da disputa, eles têm sido bem ativos em revelar supostas “farsas da mídia” sobre fatos específicos ao trazer à luz arquivos produzidos por investigadores da Lava Jato, ou algumas vezes ao destacar aspectos esquecidos de arquivos ou decisões já explorados por jornalistas.

Ações como essas, por um lado, visam alterar a narrativa da grande mídia. Por outro, elas mesmas são à sua maneira contra-narrativas, sendo também compartilhadas, curtidas, encaminhadas e “memetizadas” milhões de vezes, frequentemente com interpretações adicionais pelos leitores. Muitas destas contra-narrativas são não apenas despudoradamente partidárias, mas altamente incorretas, sexistas, e intencionalmente enganosas.

Em segundo lugar, considere que plataformas diferentes possibilitam experiências diferentes. E isso também é crucial se quisermos entender o nível de polarização que o Brasil tem experimentado. Redes como o Facebook, que exalta e incentiva identidades “reais”, são menos propensas, ainda que nem de longe imunes, a narrativas degradantes, violentas e lunáticas. Principalmente porque compartilhar ou criar tais histórias pode resultar em custos sociais para os usuários.

Mas aplicativos como WhatsApp, usados em conversas pessoais ou em pequenos grupos que não ocupam um espaço nem sequer semi-público, como as do Facebook, se tornaram um canal importante para rumores alucinantes, sórdidos e apócrifos. No ambiente confortável e privado de um aplicativo de mensagens por celular as pessoas podem soltar suas piores fantasias. Nele, é muito mais simples dizer que comunistas devem morrer, que Dilma é uma “v….”, ou gozar da deficiência física de Lula. E há que se levar em conta a enorme quantidade de “robôs” (contas fantasmas controladas automaticamente por softwares) espalhando esses boatos.

Redes sociais têm papel relevante na polarização vivida no Brasil. Foto: Microsiervos / Flickr / Creative Commons

Redes sociais têm papel relevante na polarização vivida no Brasil. Foto: Microsiervos / Flickr / Creative Commons

Uma pesquisa liderada por Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo, tocou na superfície deste fenômeno, e mostrou que esses rumores circulando em mídias sociais essencialmente opacas, como o WhatsApp, desempenharam um papel importante em como indivíduos de classe média e formalmente educados se (des)informam sobre as investigações. Além disso, o WhatsApp parece ser a ferramenta mais importante para organizar protestos “espontâneos”. A grande mídia pode cobrir esses protestos, mas não os convocou explicitamente, como pessoas e “robôs” no WhatsApp e outros aplicativos fizeram. No entanto, esse fenômeno é difícil de detalhar.

Logo, além da já mencionada narrativa oficial (composta pela grande mídia) e as contra-narrativas (disseminadas majoritariamente em mídias sociais semi-abertas), há também narrativas opacas, que circulam em mídias sociais privadas, e sobre as quais sabemos muito pouco. Enquanto a primeira é fortemente escrutinada de acordo com certas tradições de excelência ética, e a segunda sofre algum controle social, as outras estão simplesmente flutuando por aí.

Pessoas diferentes experimentam narrativas diferentes ou uma mistura de narrativas, causadas não apenas pela inescapável interpretação subjetiva e socialmente situada (o que sempre aconteceu), mas pelo próprio substrato das mensagens. Isso é novo. Dependendo de quem segue nas redes sociais, uma pessoa lê sobre uma crise diferente, sustentada por “fatos” diferentes. Isso está relacionado tanto à seleção algorítmica executada por plataformas automatizadas, que visam exibir aos usuários apenas aquilo que eles supostamente querem ver, como com o velho e humano fato de que pessoas diferentes habitam redes sociais específicas — online e offline.

Responsabilidade distribuída? 

A questão persiste: as instituições de mídia são moralmente responsáveis por um clima político em que pessoas estão sendo espancadas por utilizarem camisas vermelhas associadas ao PT?

Afirmar que a grande mídia gesta um golpe ou irresponsavelmente inflama seu público, como muitos argumentam, é uma ilusão confortável. Ela nos remete a tempos passados em que os inimigos eram facilmente identificáveis e as hierarquias mais claras. É sedutor, claro e reconfortante — nós sabemos como desconstruir a narrativa oficial pois fazemos isso há décadas. Mas ainda assim é uma ilusão. Não porque os barões da mídia não queiram o impeachment, ou porque sejam campeões da democracia, mas porque nem se quisessem eles poderiam, sozinhos, dar um golpe. A grande mídia, a despeito de todo seu poder, não mais comanda a narrativa — e, acreditem, ela adoraria comandar. A fragmentação do sistema midiático também implica em uma fragmentação da ação moral, e com isso da responsabilidade moral também.

Aqui vai minha ideia um tanto radical, superficialmente tratada aqui, inspirada no que escreveu o teórico de mídia Roger Silverstone: em um mundo em que todos têm alguma voz, todos têm alguma responsabilidade. Em certa medida, todos que postaram, compartilharam, curtiram ou até mesmo silenciaram sobre a crise são parte do cenário que agora repudiam. Mas qual parcela cabe a cada um? Como dividir o peso de forma justa? E qual importância a chamada “nova grande mídia”,  os donos das plataformas, tem? Como as escolhas feitas por essas empresas para criar a lógica computacional de uma rede, determinando o que é visível ou invisível, afetam essa fragmentação moral? Ninguém tem uma resposta minimamente clara.

O sentimento de possuir um poder que não se sujeita a controles externos é uma das razões pelas quais amamos as mídias sociais. Podemos finalmente “ser a mídia”, com poucos limites, sem ombudsmen ou concorrentes, em meio a um excesso de informações que rapidamente apaga os absurdos que proclamamos todos os dias. O que eventos como a crise no Brasil – ou mesmo a ascensão de Donald Trump — demonstram é o que já sabíamos, mas sempre esquecemos: a liberdade de expressão é um direito individual com sérias consequências coletivas. Não temos ideia de como modular os efeitos dessas consequências em uma era de mídias personalizadas. Na verdade, não estamos nem perto.

54 Responses to A grande mídia alimentou a polarização no Brasil? 

  1. Gilney disse:

    É uma falácia esta de que a grande midia é golpista ou a responsável pela polarização. Estes grupos que se arvoram de esquerdistas falsos, gostam de criar grandes inimigos fictícios para mostrar a seus seguidores mais ingênuos, que eles são a unica esperança para “protegê-los” contra os “poderosos”. A imprensa não inventou o mensalão, o petrolão. Não inventou esta multidão que foi pra cadeia, todos petistas ou ligados ou com interesses mútuos. Não inventou esta tragédia econômica e social que estamos vivendo agora, com recessão e desemprego de 10%. Ela apenas noticia, que é o papel dela. Ou os petistas gostariam que ela (a grande imprensa) se calasse, que nem numa ditadura (esquerda ou de direita)? Tudo bem que a maioria dos profissionais da imprensa não gostam da situação atual e muito menos quem está no comando (assim como qualquer outra pessoa com senso crítico e bem informada) e sabem, como cidadãos, de que lado ficar, já que o Lula criou o “nós e eles”. Mas, por profissionalismo, a maioria apenas relata o que ocorre.

  2. Gilney disse:

    A polarização foi estimulada pelo sr Lula (Lembram do “nós e eles” ?) e pelo radicalismo sindical das esquerdas, que apelam para os sentimentos mais profundos e carentes dos menos esclarecidos. A maioria da população que foi as ruas de verde e amarelo não é radical, são pessoas comuns ou amadoras nestas questões de manifestação. Não obedecem a um comando central definidor de ideias e mentiras como é o caso do PT. A maioria verde amarela não tem organização, são indignados espontâneos e não me venham falar de midia golpista que manipula tudo. Esta ideia ja tá ficando surrada de tão fajuta, velha e hipócrita.

  3. sergio disse:

    Quem alimenta a polarização são os braços políticos do PT, através de seus líderes que declararam guerra armada em caso de impeachment.

    • Terna Oliveira disse:

      Concordo. Muitas pessoas se consideram defensoras da justiça mas atacam de forma desrespeitosa outras simplesmente por nao serem do PT. As evidências de corrupção contra vários politicos do PT são veementemente negadas e descritas como um “golpe” da direita, como se o PT fosse um partido super correto e os demais partidos todos corruptos. Se é para defender a democracia que seja de maneira imparcial, reconhecendo os erros independentemente de partido político.

  4. Valdisney disse:

    A rede globo elege presidente e derruba presidentes no país, contemporânea quem controla as mentes controla tudo…

    • Samuel Kabula disse:

      Poisé, e quando o Sr. José Dirceu foi Ministro da Casa Civil durante o primeiro mandato de Luiz Inácio recomendou ao então Presidente da República que renovasse a Concessão da Globo. Faltou coragem? Porque é evidente que o Sistema de Comunicação de massa do país é apenas um meio super-poderoso de ingerência privada de um grupo pequeno, mas bilionário, na vida de 200 milhões de pessoas. Acho que só a criação de novas tecnologias e inovações no sentido de democratizar as mídias irão nos libertar do poderio nefasto da Rede Globo, porque se depender dos políticos…

  5. Pedro disse:

    Olha, autor: o senhor trabalhou como jornalista, e pelo jeito entrou na academia buscando seu doutorado. Acho que precisa fazer um “trabalho de campo”. Viaje pelo Brasil, descubra como o brasileiro se informa. O pobre ainda gravita em torno da televisão. Novela das 6, das 7 e JN: é o momento em que a familia brasileira ouve o que se passa no pais. A mídia social alterou muito pouco essa dinâmica. A classe média urbana é consumidora assídua de panfletos politicos na forma de revistas semanais. Os jornais: realmente, pouco lêem. Esses sim sofreram muito. Mas o livro de Noam Chomsky “Manufacturing Consent” continua atual para explicar o papel da mídia no Brasil, que quando perdeu a possibilidade de manufaturar o consentimento, diante de um povo que “votou errado”, colocou todo seu esforço para desconstruir seletivamente um setor de representatividade política.

    O fundamental é o que você anuncia no inicio do seu texto: a falta de dados. Não temos dados para saber se a afirmação de que os agentes politizados que se comunicam na internet realmente alteram a leitura do brasileiro dos fatos politicos. Sequer dispomos de uma métrica do qual politizados esses internautas sao.

    Acho importante sua analise, é preciso especular criticamente sobre assuntos para o qual não dispomos de rigor acadêmico. Mas justamente a falta de dados impede as conclusões do seu texto. Simplesmente não sabemos. O segredo esta no trabalho de campo nesse caso. Dai da Inglaterra vai ser muito difícil executar esse trabalho.

    • Jamil disse:

      Parabéns Pedro !!!!!

      • Pedro disse:

        Poxa, reli meu comentario e acho que tenho um auto-corretor do mal. Mas enfim, achei legal a ponderação do autor, mas ele mesmo diz que não têm dados para balizar as afirmações. Eu vou sempre ao interior da Bahia, e la o pessoal vê o JN. Os jovens tem acessado as mídias sociais, mas precisaríamos verificar qual o conteúdo acessado. O JN tem muita força na mente do brasileiro. Independente de qualquer defeito ou virtude do Lula, o fato de ele “ter sido quase eleito” nos anos 90 com. Em 2000 ele ja era outro Lula com o apoio de JN e PMDB. Mas as revistas semanais que formam a opinião de quem frequenta consultório médico particular montaram um sistema de destruição de caráter desde o inicio.

        O mercado de opiniões brasileiro é complicado e heterogêneo. Quem provavelmente tem os dados e sabe o que mexe com a cabeça do brasileiro é marqueteiro e publicitário: nem precisa de pesquisa acadêmica, basta buscar os dados dessa galera.

        O JN focou nos pedalinhos e não em problemas muito mais graves por motivos absolutamente calculados.

        • Gilney disse:

          Pedro, me desculpe, mas vc foi muito ingenuo quando menciona que o JN focou em pedalinhos. Para um entendedor médio, a menção dos pedalinhos era simbolico. Ninguem no JN falou se foi compra ilegal ou não teve Nota Fiscal, ou que não pagou…..Podia ser uma toalhinha de banheiro ou um rolo de papel higienico, será que vc entendeu ou tenho que explicar mais? Isto chama-se fortes evidencias. Que nem foi a Elba do Collor, lembra? Ou vc acha que o Collor com seus milhoes e carrões importados precisava de uma Fiat Elba?

    • Thadeu disse:

      É isso. Achei um bom texto, mas concordo, trabalho de campo é essencial. Outra, no Facebook por exemplo, nós, ao longo dos anos de uso, moldamos as informações que chegam até nós, é claro que podemos descobrir coisas novas, mas é raro sairmos, mesmo na internet, dos assuntos que já seguíamos, curtíamos e gostávamos. E muitas pessoas usam o facebook da mesma forma como eram ‘usadas’ pela mídia que continua até hoje hegemônica.
      E sim, pode até ter sido enfraquecido, mas não, eles continuam aí moldando as matérias para que atendam os seus interesses, não tem nem como fugir disso e não acho que isso vá mudar, nem tão cedo. E não precisa nem ir pro interior, vivo na capital do Rio de Janeiro, trabalho com pessoas de classe média e a maioria vê TV Globo quando chega em casa do trabalho até a hora de dormir e reproduz sem questionar nada (ficando contrariados quando os questionam) os mesmos não leem outros jornais além do mais do mesmo: Valor, Globo, Folha, etc.
      Um outro comentário: Raramente leio folha, globo, estadão, etc, mas normalmente quando leio vejo o quão ruim alguns jornalistas são em redação, ou os fazem ser. Não que eu seja um mestre para julgar isso, mas a diferença dos artigos desses jornais para uma Carta Capital é gritante. Certeza que tem ótimos e péssimos jornalistas em todos os lugares, mas sinto que as matérias são vazias, rasas, que não sustentam o próprio tema que tentam passar.

      • Pedro disse:

        Interessante sua observação de que mesmo na classe média urbana o JN e a globo ainda dominam. Eu imaginava que a classe média estivesse mais antenada nos canais a cabo, e se informassem muito mais pela GloboNews (que é a mesma coisa) do que pelo JN tradicional. Fora a possibilidade de que o espectador usa o meio de comunicaçao muito mais para o entretenimento do que pela busca de informação. Eu suspeito que grandes empresas de publicidade e marketing conhecem melhor o padrão de consumo de mídia do brasileiro e dos diferentes grupos de brasileiros do que o mundo acadêmico. Os dados provavelmente ja existem.

    • ismael machado disse:

      João, o texto é bom, tem detalhes interessantes, mas realmente, a ausencia de acesso a internet e o poder da tv ainda são muito pertinentes nessas discussões. Além disso, há o poder das igrejas evangélicas e dos programas policiais popularescos, que considero as duas piores forças para essa regressão conservadora que vivenciamos.

  6. Dura Realidade disse:

    Vazamentos! Vazamentos!
    Não importa “oque foi vazado”, que era escondido do público.
    Precisamos de muitos encanadores para controlar os “vazamentos”…

  7. Gilney disse:

    Foi o Lula que ameaçou contratar o exercito de Stedile ((MST). Foi o atual advogado da União que ameaçou (quis atemorizar) com guerra civil se o impeachment passar. Portanto, geralmente so vemos governistas ameaçando, fazendo alardes, avisos. A Dilma um dia falou nas entre linhas sobre uma ameaça de golpe militar em função de uma provavel desordem nacional. Disse: É assim que as ditaduras começam.
    Portanto , não é a grande imprensa nacional que incendiou o país. Foi o próprio Lula e sua cria Dilma que colocaram ingredientes explosivos neste caldo, com suas atitudes desastrosas e incompetentes. A imprensa apenas faz o serviço dela que é informar. Se ela noticiar algo mentiroso, a justiça está ai para reparar injurias ou acusações falsas.

  8. Gilney disse:

    Quem inventou o “nós e eles” foi o Lula. Aliás todos os ditadores ou projetos de ditadores tem a mesma estratégia; inventam poderosos inimigos fictícios para dizer ao seu povo mais humilde que eles são a proteção, contra uma possível invasão. Foi assim com Fidel Castro e Chaves da Venezuela, foi assim com aquele maluco do Irã que chamava os EUA de grande Satã e com o ditador da Coreia do Norte. Também foi com os militares da Argentina que inventaram uma Guerra com a Inglaterra para angariar popularidade junto ao povo. Aqui no Brasil o “inimigo” é a elite branca, a direita e etc etc….E o poderoso Aécio também.

    • ismael machado disse:

      gilney…vou te contar um fato real…eu e minha mulher estávamos no aterro do flamengo. enquanto tomavamos agua de coco, um conversava com outro. ele reclamava ter sido convidado pro casamento da empregada dele. E se disse incomodado porque havia fartura, o casamento havia sido numa igreja cara, com uma recepção num lugar que, palavras dele, ‘eu não conseguiria pagar’. O tempo todo, uma raiva mal contida sobre as posses da empregada. Isso diz muito sobre nossa sociedade. E isso é um dos pilares que, subjetivamente, faz com que a classe média tenha raiva do que foi conquistado nos últimos anos por essa parcela mais pobre da população.

  9. Marcello Costa Luz disse:

    Concordo em alguns pontos e discordo em outros. Mas, gostaria de saber de você, que é um pesquisador na área, como fica a teoria do agendamento (agenda seittng) nesta situação exposta por você no texto?

  10. Brancaleone disse:

    Existe a noção errada de que a mídia é assim uma espécie de “Verdade Absoluta”, que cabe a mídia seja ela de que tamanho for só dizer a verdade, nada mais que a verdade como se alguém fosse realmente conhecedor da verdade. A verdade é relativérrima e em se tratando de política, uma utopia.
    A mídia é um negócio como outro qualquer. Assim como butecos, padarias, puteiros e igrejas a imprensa esta aí para faturar já que todos tem contas para pagar.
    Pretender que a “mídia” grande ou minúscula seja imparcial é duma ingenuidade de dar pena.

    • Leticia disse:

      Concordo com você Brancaleone! As pessoas se esquecem que a mídia é feita por pessoas, e essas pessoas têm “suas próprias visões” e interesses. Eu, se pudesse, faria todos concordarem comigo, mas qual seria a graça?

  11. Concordo com a opinião em gênero, número e grau.
    O processo de influência da mídia é notório, tendo em vista que ainda vivemos num país em que boa parcela da população tem escolaridade baixa, pouco conhecimento econômico, político e jurídico. Obviamente que aqueles que não têm uma posição consolidada e um senso de raciocínio apurado acabam por ser influenciados por aquilo que assistem ou ouvem. Podemos levar em consideração, por exemplo, a reportagem do Jornal Nacional e a respectiva cobertura em cima das ligações grampeadas, também denominadas interceptações telefônicas -que foram divulgadas de maneira repreensível-, para o grande público que não têm acesso ou simplesmente não tem interesse em buscar a verdade real dos fatos se utilizando de diferentes meios de comunicação, fica clara a presunção de que realmente Lula e Dilma são bandidos tentando acobertar um ao outro.
    E isso acaba por se tornar um efeito dominó, pois estes que não tem conhecimento da real situação, baseados na informação condensada -que na maioria das vezes é também distorcida- que receberem, as difundem, espalham em suas redes sociais, o que acaba influenciando mais pessoas, e estas difundem para outras, levando a um fenômeno que gera um total descontrole.
    O problema da informação condensada, é que 95% daqueles que expõem sua posição ou ideologia em redes sociais, se baseiam em manchetes publicizadas pela grande mídia influenciadora, não se importando com o contexto da informação, dos fatos, daquilo que foi efetivamente apurado e comprovado.
    O que isso acarreta? O cenário atual. A grande mídia se posicionou de maneira veemente contra o governo, a população, desinteressada e supérflua, em sua maioria, criou uma opinião em cima das manchetes daquela, causando uma comoção nacional que elegeu como vilões de toda a crise os personagens principais do governo: Lula e Dilma.
    Diante de tal cenário é difícil escolher uma posição: se abster das redes sociais para evitar ser exposto a opiniões incongruentes e vazias ou se posicionar e expor nelas, tentando passar a verdade real acerca do cenário atual, e ser taxado e julgado por extremistas que não pensam duas vezes antes de ataques pessoais.
    Somos julgados se usamos determinada cor na rua, somos taxados se nos posicionamos contra a corrente majoritária nas redes sociais. E cabe a reflexão: até que ponto vivemos numa real democracia? Se até os próprios cidadãos não respeitam esta.

    • Leticia disse:

      É por essas e outras questões que o impeachment é um golpe. Tirar o PT do governo não significa que o Brasil vai melhorar, significa apenas passar o controle para as mãos de um grupo tão nefasto e corrupto quanto aquele. A questão é que a oposição ao governo PT está com inveja por não poder roubar tanto quanto eles dizem que o Lula roubou (o que eu duvido, pois acho que todos roubaram igual ou pior). Eu quero que isso passe, pois estou cheia dessa briga e de ver o Brasil paralisado.

  12. aquiagencia disse:

    O autor cometeu um erro de lógica. Pelo o compreendido, a grande mídia não tem mais a força de outrora porque as chamadas mídias sociais tomaram, a partir de um algorítimo “oculto” informa ou desinforma muito mais as pessoas do que poderia fazer, segundo o texto, Veja, Época, O Globo, Folha, Estadão, SBT, Record ou Globo. Acontece que o brasileiro, historicamente e pela força da oligarquia que comanda a mídia nacional, reconhece esses veículos como autoridade na informação e se guiam por eles, tanto que, segundo o texto das mídias sociais insurgem contra-narrativas.

    Se 40% da população não tem acesso a internet, podemos dizer, agora sem contradição, que a autoridade da informação é da grande imprensa e portanto ela é apontada no texto como criadora da crise como fato público. Essa imprensa apenas esqueceu de criar o contexto certo para transmitir ao cidadão a informação com o viés que fosse condizente com os seus pressupostos interesses como brasileiro que é. Ou seja, porque não deixar claro ao povo brasileiro que convive diariamente com a ansiedade de um impedimento a meses que a sua presidente não tem sobre si nenhum crime que lhe impute a perda do mandato? Porque dar entrevistas diárias ao presidente da câmara réu pelo STF.

    Colocar a culpa na imprensa pela desinformação do cidadão será sempre uma injustiça com a imprensa. Essa deve ser regulada pelo governo e enquanto empresa, tem claramente lucros e interesses próprios para corresponder. Pensar que ela é isenta ou vítima da quebra da velocidade e da descentralização da informação é ser inocente querendo ser cético. Concordamos que ela se pudesse comandaria a narrativa, do início ao fim, mas não passa pela sua cabeça que ela tenta tudo o que pode?

  13. Flavio Azevedo disse:

    Fraquíssimo texto! Que tal ler um pouco sobre analise de discurso e aplica-la aos textos da grande mídia brasileira?

  14. Natã disse:

    A esquerda no Brasil é como um marido corno, se irrita com quem contou a traição, não com o fato de ser traído. O grande sonho da esquerda é que a “grande mídia no Brasil” fosse igual a da China. Ou mais claro: que toda a mídia nacional estivesse sob a supervisão de Mino Carta. Assim, a população viveria como os leitores da carta capital que vivem no Brasil-maravilha de João Santana (preso por corrupção). Depois que conheci a esquerda falando de democracia tive o pleno conhecimento do que significa incoerência.

  15. Bruno disse:

    Discordo com veemência do autor. A grande mídia tem perdido poder relativamente sim, entretanto, ainda tem papel relevante na manipulação do pensamento de milhões de brasileiros. A mídia tem posição partidária e não mede esforços para impor seu pensamento único quando seu dever seria o de expor as várias opiniões sobre o mesmo assunto. Comportamento que empobrece a discussão, confunde o cidadão em vez de esclarecê-lo e é causa direta da polarização da sociedade.

    • Gustavo Costa Lima disse:

      Concordo com o que disse o Bruno. O autor parece menosprezar o peso da grande mídia e de sua intensa e duradoura campanha de desconstrução e desqualificação do governo para uma população com reduzida capacidade de pensar com autonomia. Depois não dá pra se falar que essa mesma mídia não tem uma posição partidária, isso é excessivo.

  16. wilson disse:

    O colunista parece tentar defender o indefensável: a nefasta manipulação pelos órgãos da imprensa falada e escrita dos atos e fatos da política e economia brasileira. O autor parece tentar compartilhar a responsabilidade pela desinformação com o WhatsApp, Facebook, etc., e eu me permito dizer que as pessoas apenas repercutem o que lhes foi inculcado pela imprensa formal. Nas palavras de Humberto Eco, as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”.

    • Tamosai disse:

      Exatamente.

    • Leticia disse:

      Não poderia deixar de concordar. Vejo isso todos os dias. Regularmente a lobotomia expõe seus efeitos nas redes sociais após o JN. Gostava mais da época do bar, pelo menos tinha o conforto do álcool.

  17. JOSUÉ SANTOS disse:

    Leiam o relatório do TCU sobre a Reforma Agrária no Brasil, jornal O ESTADÃO.

  18. Rian disse:

    Discordo do autor de forma geral, apesar de concordar em vários outros. Como pode ele mesmo afirmar que 40% da população brasileira não tem acesso a internet e, contraditoriamente, diminuir a responsabilidade e influência de nossa grande mídia?

    • Leticia disse:

      Ora, contradições da nossa mídia: quem é o autor? Um jornalista (fora do Brasil) que já trabalhou num grande jornal aqui do Brasil numa coluna de uma outra mídia (Carta Capital).

  19. José Hidalgo da Penha Guimarães Vilalobos disse:

    Agora que o golpe mixou, tentam desconstruir o consenso que se formou sobre o papel e a importância da grande mídia na invectiva golpista. A isso chamamos “botar panos quentes”.

    • Tu vives em marte, a limpeza nem começou, a única certeza que tenho que vai precisar de muito buraco para botar toda esta quadrilha lá dentro e tapar bem para não sair o cheiro da podridão.

  20. João Pedo Lopes disse:

    Análise interessante, porém também impregnada pelo campo de atuação do autor, aliás, como o próprio mesmo admite no começo do texto. Sendo assim, discordo substancialmente da análise no que tange ao alcance da grande mídia. De fato, temos um universo midiático muito mais pluralizado hoje em dia, porém (e esse é o ponto chave no que se refere à capacidade de “inflamar” a opinião pública), é só uma pequena parcela da população que tem acesso à toda essa diversidade. É ilusório crer que a maioria usa de meios alternativos para se informar – não, a maioria se informa mesmo é pelo que veem no jornal nacional, sobretudo as camadas mais humildes em geral. A rede globo ainda é majoritária nesse sentido, sobretudo quando se trata de uma parcela da população mais “vulnerável” aos discursos enviesados dos editoriais conservadores. Então eu discordo do argumento de que a responsabilidade da grande mídia na atual conjuntura é secundária. É claro que as rede sociais servem de contra-argumento às narrativas tradicionais, porém, as influências das mídias sociais são imprimidas com mais força na população mais jovem, e nessa conta entram também os algoritmos de filtragem de informação, então fica claro que não é tão maravilhoso assim esse cenário de pluralidade. Além disso, penso eu que, embora hoje em dia as mídias sociais estejam sendo usadas por indivíduos de todas as idades e classes, as pessoas mais “iletradas” e com um pouco mais de idade, em geral, não vão às redes sociais atrás de informação, mas sim de uma rede social de fato, veem-na como um espaço de socialização com parentes, amigos, etc. Tomo como base pra essa suposição a observação que faço das pessoas, e a verdade é que em geral as pessoas não se interessam em entender de fato o que está ocorrendo no cenário político, mas sim em simplesmente formar uma opinião – essa é a urgência. E, se ainda assim essas pessoas vão atrás de informação no meio digital, dificilmente vão ter acesso a uma informação de vários matizes e, mesmo assim, se por acaso tiverem acesso a um meio alternativo, provavelmente não iram clicar num link em que a manchete grita uma palavra de ordem que vai na direção diametralmente oposta àquelas marteladas dia após dia no jornal nacional, esta que certamente chega aos seus ouvido. Então, qual será a opinião dessas pessoas, senão a mesma que passa todo dia à noite no jornal? O meio televisivo é o que tem o maior alcance, e ao mesmo tempo o de menor qualidade, e isso não foi discutido, apesar de ser um fato essencial para a compreensão da questão. Isso sem levar em conta as escolhas espúrias dos editoriais em relação às notícias que “valem” e as notícias que “não valem”, de acordo com o partido a que se refira a eventual notícia, tema este que também não foi discutido. Talvez, isso seja tão natural para o meio do articulista, que ele se esqueça do absurdo que aí existe. Humildemente, achei fraca a análise do autor.

  21. Juca Gaudêncio disse:

    O texto é bom. De fato, a mídia é concentrada no Brasil e tem uma certa influência na política. Que eu diria menor e menos incisiva que nos últimos anos, já que o advento da internet, ou melhor da Revolução Digital ou da Tecnologia da Informação nos trouxe. Temos acesso a informações de todo o mundo. Acesso as mesmas notícias divulgadas por veículos diferentes que possuem uma forma diferente de relatar o fato, de matizes ideológicas diferentes. Apesar de existir ainda a concentração da mídia no Brasil, há a pulverização dos meios de informação. E hoje, muito mais do que antes, quem filtra as informações que deseja ler é o leitor e não a mídia. Se uma pessoa é conservadora, ela vai escolher logicamente se informar mais pela mídia que apoia essa ideia, da mesma que uma pessoa mais liberal, ou de esquerda, ou socialista, qualquer que seja sua ideologia, ela vai escolher se informar pelos veículos de informação que melhor se adequa as suas necessidades como leitor. É só olhar a timeline do facebook de alguém, por exemplo e suas curtidas em sites de notícias, por exemplo. Na internet, utilizando a famosa frase presente em Scarface: “The world is yours”, (o mundo é seu). A liberdade de se informar é sua.

  22. Marcelo disse:

    O cenário é mais complexo? Sempre. Mas tentar minimizar o papel da grande mídia nesse processo todo não está correto. Apelar para o já velho argumento da mídia tradicional enfraquecida pelos novos meios é uma meia verdade. A grande mídia tem muita culpa no cartório, sim; dou-lhe dois motivos. Uma responsabilidade imediata, de prover argumentos, munição, de qualidade duvidosa, recheados de más intenções e com quase nenhum compromisso com a verdade factual, para os chamados formadores de opinião, gente hiperconectada, a fazer sua reverberação na grande caixa digital. E outra histórica, essa muito mais importante, a responsabilidade de ter construído as mesmas cabeças desprovidas de espírito crítico ( não poucas vezes de razão), carregadas de ideologias moribundas, que terminam por servir como difusores poderosos (em épocas de desconstrução do broadcast tradicional) das mesmas ideias quase absurdas, frágeis sob a mínima luz de razão que, atualmente, nos colocam nesta crise e envenenam nossa democracia adolescente.

  23. André Caldas disse:

    É uma análise verdadeira sobre uma coisa, pra concluir outra totalmente diferente. A Globo é “a culpada”? Não. As pessoas tem outras fontes de informação, que não a grande mídia? É evidente. Existem outros atores? Claro. Portanto… portanto… qual é a conclusão, mesmo?

    Ah, sim…
    A grande mídia NÃO pode ser culpada pelo ambiente político tóxico que tomou conta do País.

    Cara! Como você concluiu isso??? É como dizer que um indivíduo que participou de um apedrejamento não pode ser culpado pela morte da vítima!

    É impossível ignorar o poder que a Globo tem, quando em qualquer casa que você entre, lá está a TV ligada no Jornal Nacional. Se a TV não tivesse esse poder, ninguém pagaria uma fortuna pra colocar um anúncio de 30 segundos lá.

  24. Marcos disse:

    Faltou uma crítica da imprensa de esquerda. Apesar de pequena, influencia demais as opiniões de quem acredita no governo. Ao invés de ser uma alternativa à grande mídia, se transformou em um apêndice ao governo. É financiada por verbas públicas, mantêm laços sólidos com atores com quem devia investigar, publica apenas notícias que convém ao seu posicionamento político.Mídia crítica e independente, ainda estamos procurando.

  25. Gustavo disse:

    Eu só tenho a agradecer a Veja. Há anos ai publicando escândalos desse governo e nenhum deles foi informação falsa. Tudo se confirmou e as fontes estavam corretíssimas. Mídia não é pra ficar fazendo propaganda do governo mesmo não. O papel da mídia é justamente mostra aquilo que eles não querem que nós saibamos. Dito isto é que eu parabenizo a revista que não se curvou à esses discursinhos perebentos de “mídia golpista”, de que só persegue o PT, Lula e Dilma…

    Globonews e JN também são ótimos, ao contrário do que dizem, dão espaço para todos falarem. E, pelo amor, uma manifestação que leva 2 milhões a avenida paulista é claro que terá mais cobertura que uma de meio gato pingado sendo pago e explorado por 30 reais e um pão com mortadela para estar lá.

    Mas o fato mesmo é que todos amam odiar a velha mídia. Faz parte da pressão para impor uma narrativa nela.

    • Agraciado disse:

      Eles pegam no pé, mas nao inventam. Logicamente o governo Federal sempre vai trer muito mais atencao do que os Estaduais. Ainda acho que a midia pega muito no pé do governo de SP e MG em comparacao com o governo de outros estados..

  26. Entendo a preocupação do autor ao deslocarmos o eixo de gravidade da crise política somente para a grande mídia. Mas, defender a grande mídia brasileira (ou ao menos tentar minimizar seu impacto na formação de opinião) é um desafio e tanto. A internet, em grande parte, reproduz o que a mídia convencional produz. Não se deixe enganar que a internet é grande produtora de conteúdos, principalmente as redes sociais, e que esse fato reduziu o poder da grande mídia. Não. O que se assiste são discussões acalouradas nas redes sociais que se valem das notícias dessa mídia para defender esse ou aquele ponto. Esse conglomerado midiático que temos no Brasil está longe de ser fragmentado. São monotemáticos e, mesmo a Folha, que se diz neutra, tem apenas 4 ou 5 colunistas de esquerda dentre os mais de 100 contratados. A grande mídia é e sempre foi, no Brasil, a principal formadora de opinião, principalmente da classe média. Não nos deixemos levar pela ideia de que o acentuamento da crise política tem outras razões que não a massiva veiculação de ofensas diretas e indiretas a Dilma e a Lula, e a divulgação seletiva de “fatos bombásticos” do Partido dos Trabalhadores.

  27. ze sergio disse:

    A esquerda brasileira, tanto a dita intelectual quanto a proletária, chegou ao governo há quase 25 anos 1/4 de século. O que fizeram para a descentralização dos meios de comunicação, para a pluralidade e o obedecimento às leis, tendo em vista que os grupos midiáticos são propriedades de políticos? O que é ilegal. Vendeu-se uma ilusão que foi amplamente comprada pela sociedade brasileira, falta de democracia travestida de politicamente correto. Repetição da história como já havia acontecido há poucas décadas atrás com o governo Jango, que levou o país a um beco sem saída e a quebra das instituições. Alguma semelhança com o atual período? Democracia é um ensinamento que ainda não aprendemos. E reconhecer tal defeito é o primeiro passo para uma solução. Abs.

  28. Andrea Agra disse:

    Texto muito longo mas ao meu ver todo texto dissertativo precis-se de uma conclusão e esse não nada conclusivo ao ponto de vista de nos ajudar com um real ponto de vista, dando-nos como sugestões coesas e coerentes. Em toda a extensão falou sobre o que todos já estamos cansados de saber, claro quem tem um mínimo de senso crítico ao ver o poder das grandes mídias favorecendo e dando ênfase a um lado somente, distribuindo a sua total parcialidade quanto deveriam ser imparciais. Foi dito: Aqui vai minha ideia um tanto radical, superficialmente tratada aqui… estou esperando, li e reli contudo não vi expressa no texto a sua idéia.

    • André Caldas disse:

      Sem contar que a pergunta era:
      “A grande mídia alimentou a polarização no Brasil?”

      A resposta parece ser:
      “Apesar de suas falhas profundas, jornais e emissoras não podem ser culpados pelo ambiente político tóxico que tomou conta do País.”

      Ou seja, a resposta NÃO RESPONDE a pergunta!

      E o pior, é que a conclusão não segue dos argumentos! O cara argumentou que a grande mídia está mais fraca e que as pessoas se mobilizam pela internet. E concluíu que portanto, os jornais e emissoras não alimentaram a polarização???

  29. Luis Fernando disse:

    Excelente analise! Uma das mais lucidas até aqui sobre a crise no Brasil.

    Uma ótima ilustração do momento que vivemos, a reflexão traz mais perguntas que respostas.

    Parabéns!

  30. Tamosai disse:

    Discordo respeitosamente. A mídia hegemônica teve e tem um papel enorme na midiotização de grande parte da população. Ela trata de forma ultra-parcial os acontecimentos, a ponto de algumas pessoas acharem que a corrupção atualmente é maior do que antes e como se ela fosse o maior dos problemas. Uma mídia mais pluralista e menos partidária permitiria que houvesse mais sensatez e lucidez no debate.

  31. Jorge Alberto Rodrigues disse:

    É ridícula, patética e asquerosa essa tentativa de associar o legítimo desejo de parcela expressiva do povo para que haja o impeachment da Dilma com a atuação da mídia. A imprensa séria funciona apenas como um mensageiro que divulga os inúmeros e recorrentes atos ilícitos perpetrados nos governos Lula e Dilma. Os defensores dos corruptos que nos governam têm o péssimo hábito de confundir mensagem com mensageiro. A mensagem aborda os crimes praticados, os mensageiros (ou seja, a imprensa) apena os dão publicidade.

  32. marcio ramos disse:

    Legal.

    Todo mundo manipula todo mundo que manipula quem?

    Vamos ocupar a Globo? : )

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