Direitos Humanos A cultura do estupro é a expressão mais radical da cultura da superioridade
Júpiter, o mais poderoso dos Deuses romanos, toma a forma de um touro branco e convence a princesa Europa, por quem estava apaixonado, a monta-lo. Quando ela o faz, ele foge para a ilha de Creta, onde a estupra. O quadro é de Titian (Tiziano Vecellio), pintor veneziano do século 16.

Direitos Humanos

A cultura do estupro é a expressão mais radical da cultura da superioridade

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Ninguém educa um filho para ser um estuprador, mas criamos meninos imbuídos de um sentimento de superioridade em relação às mulheres

Este é um texto especial da editora Vivian Alt em decorrência do recente caso de uma jovem violentada por um grupo de homens na cidade do Rio de Janeiro. Embora seja um tema fora do perfil editorial do site, o Politike sente a necessidade de debater o assunto com seus leitores.  

Imagem: Júpiter, o mais poderoso dos Deuses romanos, toma a forma de um touro branco e convence a princesa Europa, por quem estava apaixonado, a monta-lo. Quando ela o faz, ele foge para a ilha de Creta, onde a estupra. O quadro é de Titian (Tiziano Vecellio), pintor veneziano do século 16.

Há quase uma semana, falamos intensamente sobre a “cultura do estupro”, que contribuiu para uma brutalidade cometida contra uma menina de 16 anos na cidade do Rio de Janeiro. Essa mesma cultura deixou os criminosos que a estupraram coletivamente confortáveis o bastante para publicarem fotos e um vídeo do crime em uma rede social. Essa cultura também permitiu que amigos desses indivíduos ridicularizassem a vítima ao comentarem as imagens.

Foi necessário que essas imagens grotescas parassem na internet para que um movimento de revolta ocorresse, levando à discussão da “cultura do estupro”.  Mas o que significa, na realidade, essa cultura do estupro?

A maioria dos comentários, textos, artigos e postagens em mídias sociais fala sobre uma cultura que pune as vítimas enquanto os perpetradores são isentados ou desculpados por diferentes motivos. Existe, contudo, muita coisa por trás da cultura do estupro. Discutimos sobre a necessidade de educar as meninas para que não “provoquem” um estupro e de educar os meninos para não estuprarem. Ninguém ensina meninos a estuprar, mas os ensinamos a sentirem-se superiores. Mesmo que involuntariamente, as famílias e a sociedade mostram diariamente aos meninos e homens que eles estão em vantagem na vida. Que são superiores.

Os atos cotidianos são tão pequenos e sutis que é difícil perceber como contribuímos para a cultura da superioridade – e, finalmente, do estupro. Tudo começa em casa. No café da manhã, no almoço, no jantar, ou no churrasco, com aquela piadinha machista tão sem maldade do papai, do titio, dos amigos da família. E aquela clássica frase no trânsito: tinha que ser mulher! Quem não ouviu? Não é grosseiro, não é maldoso. É sutil, mas existe. E em muitas famílias (quiçá na maioria) ocorre com frequência. Na televisão, em quase toda a programação dos canais abertos temos referência à mulher como objeto: comercial de cerveja, novelas com os clássicos estereótipos, programas de auditórios (a Banheira do Gugu e as dançarinas do Faustão são exemplos famosos), entre outros. Também se tem a reprodução do ideal da mulher: nos comerciais de produtos de limpeza ou cozinha, cuidando das crianças, sendo bela, recatada e do lar.

Enquanto crescemos, ouvimos nossos pais censurarem nossas roupas e nossos corpos, mesmo que não de forma bruta. Um “zelo”, um cuidado de quem não quer ver sua filha ser vítima de violência. Para os meninos, a preocupação é muito menor. Antes de saírem de casa, as meninas ouvem diversos conselhos: cuidado com quem você conversa, preste atenção na hora de comprar bebida para ver se não colocaram nada dentro, não fique sozinha em lugares isolados, não pegue táxi sem ser da cooperativa, etc. Em países como Índia e China, por exemplo, vai-se além. Em ambos os países, é proibido saber o sexo do bebê antes do nascimento para evitar abortos de meninas. Na Índia, há inúmeros casos de desnutrição entres meninas, uma vez que famílias de menor renda tendem a priorizar a alimentação de meninos.

Os meninos crescem nesse mundo. No Brasil, eles veem e ouvem tudo isso a vida inteira – da piada aos conselhos, dos comerciais aos programas de TV. E é inevitável perceberem que têm menos restrições e menos dificuldades. Nasce, assim, um sentimento de superioridade. Claro que muitos não veem essas vantagens e privilégios como superioridade inerente, mas sim como uma construção injusta da sociedade. Há outros que se entendem superiores e, embora não pratiquem violência contra mulheres, não contestam quando outros (conhecidos ou não) cometem tais crimes.

E sempre existirão aqueles que levam a cultura da superioridade ao extremo. E esse extremo chama-se violência, estupro. Ninguém educa um filho para ser estuprador, mas criamos meninos imbuídos de um sentimento de superioridade. Não atentamos para aquilo que cotidianamente pode transforma-los em pessoas que praticam ou compactuam com a violência contra a mulher. Esses detalhes do dia a dia também reforçam nosso hábito de culpar a vítima: a saia curta, o batom vermelho, o decote. “Mas ela estava sozinha”, “estava bêbada”, “estava drogada”, “estava no lugar errado”, “estava dando em cima do cara”, “estava pedindo”. Não seria desumano usar esses mesmos argumentos para “justificar” o porquê de um homem ter sido estuprado? Porque estava bêbado, drogado, sozinho, ou se estivesse dando em cima de uma mulher, etc.

O estupro é a expressão mais radical e mais dramática desse sentimento de superioridade. Será sempre muito complexo combater o estupro enquanto homens se julgarem superiores às mulheres. A cultura do estupro seguirá firme enquanto acharmos que falar mal de machismo é “mimimi”. Enquanto continuarmos tratando o respeito à mulher como uma luta feminista e não da humanidade. Enquanto acharmos que igualdade de gênero se refere exclusivamente aos direitos das mulheres e não aos direitos de todos nós.

56 Responses to A cultura do estupro é a expressão mais radical da cultura da superioridade

  1. Márcio Nogueira disse:

    Homens e mulheres são diferentes.
    Mesmo um homem que deseja ser mulher, põe peitos, corta o pênis, faz uma vulva, tira os pelos e etc., acaba sendo mais forte fisicamente que uma mulher, nossa natureza é desigual.Igualdade de gêneros é uma impossibilidade, num sentido amplo, a não ser que mudemos a natureza.

    Educação para a justiça e o respeito ao mais fraco, é possível. Violência é o uso da força, sobre o mais fraco.
    Independente de ser mulher, criança, idoso, homossexual, heterossexual deve a sociedade optar pela educação que iniba a violência e punir os violentos.

    Há homens violentos, mulheres violentas, crianças violentas, velhos violentos, homossexuais violentos e etc. Ninguém é inocente, pois somos todos educados por homens e mulheres. São pais e mães, professores e professoras.

    Não adianta criar leis específicas para punir crimes contra grupos específicos, delegacias específicas e etc., se não há real punição, se aquele que comete o crime independente do gênero, não é punido e não tem sua prática interrompida.

    A impunidade é o processo de deseducação.

  2. Marcio disse:

    Excelente matéria, além de agregar conhecimento à disciplina LP, fez-me refletir aos atos cotidianos e a cultura da sociedade como um todo.

  3. José Wildson dos Santos disse:

    Parabéns
    Sou educador e sua matéria contribui muito no desenvolvimento de minhas aulas sobre igualdade de gênero
    Obrigado

  4. Lia Alt Pereira disse:

    Parabéns Vivian por ter provocado a discussão de um assunto tão importante e que já deveria ser resolvido no século passado, mas infelizmente ainda carregado de atavismo até hoje.

  5. Feminismo velado x Machismo sutil. Este devia ser o título do seu texto…

    • Vivian Alt disse:

      Nossa, muito obrigada por me mostrar o caminho da luz e me dizer qual deveria ser o título do meu texto. Ainda bem que vc veio aqui comentar e esclarecer tudo para mim. Desculpa, sabe como é né? Sou mulher…preciso de um homem para me guiar intelectualmente….

    • Orlando disse:

      Não existe cultura do estupro. Existe crime de estupro!

    • Sandro Santos disse:

      Existe cultura do estupro sim! E Vivian Alt está coberta de razão em denunciá-la. Nossas crianças crescem em um mundo no qual se acostumam com a banalidade do mal exercida por homens – se é que podemos chamar alguns assim – (geralmente heterossexuais, ditos cristãos e brancos) sobre as minorias marginalizadas (mulheres, negros/as, populações LGBTs, e as próprias crianças).
      É um horror que pessoas como você Marcelo Tinoco ainda queiram se expressar! Parabéns Vivian pelo brilhante texto!

  6. Alexandre disse:

    Acho que algumas mulheres são machistas sim e contribuem para essa diferenciação de responsabilidades da mulher e do homem. Eu jogava vídeo game enquanto minha irmã arrumava a casa. Jogava bola enquanto lavava a louça. Minha mãe servia meu pai o prato de comida que tinha q ser na quantidade certa (dependendo do dia estava com menos ou mais fome), temperatura certa etc. Nem a comida no prato ele colocava. Hoje, se ele não pegar fica sem comer. Muita coisa mudou. A mulher, a sociedade está de Parabéns pela evolução parcial. Mas vamos melhorar mais: homens e mulheres.

    • leonor25leonr disse:

      Concordo tem muitas mulheres que fazem essa diferença.. Que só gostam dos filhos homens!!! Daí, já começa errado!!!

    • LÍVIA R SILVA disse:

      Alexandre, cresci sendo tratada de forma diferente do meu irmão, até hoje vejo minha mãe tratando meu pai dessa mm forma q a sua tratava o seu. Mas o meu filho q tem 4 anos, eu e meu marido o educamos de modo a entender que “não é não”, a ser gentil e a respeitar as meninas.

      • Alexandre disse:

        Oi Livia, Acho que tudo é uma evolução. Vamos chegar em um momento que não teremos tanta diferenciação. Seguimos apoiando o feminismo (igualdade) e contra o machismo. Essa luta é dos homens também.

    • LÍVIA R SILVA disse:

      Concordo que muitas mulheres ainda são machista.

  7. Alexandre disse:

    muito bom o texto

  8. Alice Frota disse:

    muito bom!!!

  9. Carlos F C disse:

    As piores machistas são as mulheres.

    • Cholo disse:

      ai fica fácil pra vc né machinho

    • Urso Soviético disse:

      Errado! O pior machista é o homem que agride, que aprisiona, que mata!

      um abraço!

    • Shalimar disse:

      Nasci numa época em que minha mãe achava que enquanto eu e minha irmã devíamos limpar a casa o macho da casa, meu irmão, poderia estar na rua jogando bola com os amigos. Não sei como anda a educação dos filhos hoje em dia mas muito do machismo dos homens deve-se à educação de mulheres que ainda pensam como minha mãe. Não há culpa nisto, é questão cultural. Filhos homens, na maioria das vezes, são educados de maneira diferente.

  10. Ivan disse:

    De fato, Vivian, acho (tenho certeza) que existe, sim, uma cultura machista no Brasil. As propagandas na TV sempre atrelam um produto a uma linda mulher, mesmo que fuja do padrão de mulher brasileira. Infelizmente, o problema nasce em cada casa, em cada pai e mãe que não educa seus filhos no sentido da absoluta igualdade, de fato e de direito. Por ser um fenômeno cultural, entendo que o problema é de difícil solução. Problema (educação), aliás, que, se solucionado, melhoraria muito o nosso país.
    Texto muito bem escrito!

    • Tande S. disse:

      Olá Ivan,
      vc e a matéria escrita relatam sobre as propagandas na TV, os programas de auditório que exercem influência sobre a cultura porque tem mulheres participando. Não sou fã de nada disso mas, pergunte para as mulheres que participam das propagandas e programas de TV se elas estão sendo “forçadas” a se expor! dançarinas, modelos e etc. isso não é profissão? a perversão dos pervertidos e o crime dos criminosos devem ser punidos severamente, agora, vamos ter bom senso.
      Não concordo com o termo “cultura” ligado a um crime grotesco como esse.Primeiro necessitamos analisar o termo cultura. Acho que estão utilizando de maneira errada, inclusive fazendo apologia ao crime. Cultura, nem pensar, é crime! e não cultura.
      Cara, há propostas de governo no nosso pais pedindo para transformar a prostituição em profissão!!!! pergunta agora de que partiu essa ideia! estupro não é cultura, é crime, é crime!

      • Caro Tande S., permita-me discordar de sua posição sobre a prostituição: veja o exemplo da Holanda de tolerância com prostituição e drogas, e é um país com um índice de desenvolvimento humano incrivelmente alto. Realmente me parece uma questão de cultura a educação (não aquela que nos alfabetiza, mas aquela do lar) que perpetua essa diferença entre homens e mulheres.

        • Tande S. disse:

          Olá Márcio, grato por dialogar comigo pois é importante refletirmos sobre assuntos tão polêmicos para a sociedade. Quanto a Holanda, talvez fosse interessante vc avaliar melhor as informações. Há uma reportagem na revista Exame “Legalização da prostituição não atinge objetivos na Holanda”. É fato, em nenhum país a prostituição é benéfica para a sociedade. Isso por ferir uma lei que é universal, a lei do amor. Entendo que as opiniões são divergentes, e por favor, eu posso até tolerar, mas não posso aceitar passivamente a degradação moral de uma pessoa. O contexto na Holanda é bem diferente do nosso. Não tem nada a ver com educação. Mesmo na educação, há valores inegociáveis. Nesse caso não há diferenças entre homens e mulheres.

  11. Júnior disse:

    Ótimo texto!

  12. raxix disse:

    Em primeiro lugar, a obstrução mais óbvia tem sido oposição ao sexo. Todas as culturas, todas as religiões, todos os gurus, todos os profetas e videntes , e o clamor publico sempre disse que o sexo é um pecado, que é irreligioso, o sexo é veneno.
    Nietzche disse algo que é um indicativo. Ele disse que, embora a religião tentou envenenar o sexo para mata-lo , o sexo não morreu, e segue vivo , mas cheio de veneno. Teria sido melhor se tivesse morrido, mas não morreu. Está envenenado, e ainda vivo … O plano falhou. A sexualidade que se ver ao redor é a representação do sexo envenenado.

  13. Dulce disse:

    Sou mãe de dois adolescentes meninos e posso garantir que todo esse cuidado citado no seu texto não é dispensando apenas às meninas. Antes de meus filhos saírem, recomendo para não aceitarem bebidas de estranhos, não pegarem caronas com motoristas embriagados, não transitarem por ruas secundárias, não brigarem em festas, porque o mundo tá sombrio para todos e meninos não tem escudo de aço no peito!
    Também, acho importante ressaltar, que pelo menos há duas gerações, na metade dos lares, a mulher está criando seus filhos sozinha, como aconteceu no meu caso. Então, fomos “empoderadas” da capacidade de modificar essa realidade e se assim não aconteceu, temos que nós, mulheres e mães, rever nossa orientação! Espero não ser acusada aqui de ser machista, pois por ter criado dois filhos homens maravilhosos sozinha, me considero muito mais “feminista” que muitas por aí que só falam!

  14. Marcos disse:

    “criamos meninos imbuídos de um sentimento de superioridade”

    Pode ter sido um lapso, mas caso tenha sido de propósito, parabéns pelo verbo na 3a pessoa do plural.

    Porque de fato NÓS todos – homens E mulheres – criamos os meninos dessa forma. A “piadinha machista na hora do jantar” pode facilmente vir tanto do tio quanto da tia. E posso garantir – por experiência própria – que os meninos que não desenvolveram esse sentimento de superioridade são muito mais hostilizados por mulheres do que por outros homens.

    As mulheres QUEREM um homem que seja capaz de violência e que não se importe com a sua vítima; elas apenas querem que esse homem use tal violência contra todas as outras pessoas, mas não contra ela mesma.

    • Celio disse:

      Marcos, perfeito o teu comentário, as mulheres realmente querem este homem machista “imbuído de um sentimento de superioridade”. E rejeitam os que não forem assim.

    • Vivian Alt disse:

      O verbo na terceira pessoa do plural foi sim de propósito, porque infelizmente existe muita mulher machista. Se vivemos numa sociedade machista é porque muitas (mas não todas) reproduzem ou se calam perante a comportamentos machistas.

      Ainda assim, seu comentário teria sido mais inteligente se tivesse parado ai. Essa parte de “as mulheres querem um homem violento” é uma generalização completamente forçada…só faltou vc completar com o clássico: mulher gosta de apanhar. Existe mulher que pensa assim? Claro, mas isso não é a regra. Seria o mesmo que dizer que todo homem é um estuprador, o que não é o caso. Se vc acha que toda mulher quer um homem violento, tenho medo pelas mulheres que te cercam…

      • Helaine Alves disse:

        Faço minhas suas palavras, Vivian.

      • Marcos disse:

        Não completei porque apenas algumas mulheres gostam de homens que batem nos outros e nelas; as outras gostam de homens que batem nos outros, mas não nelas. Nem toda mulher gosta de apanhar, mas toda mulher gosta de homens capazes de bater, e só desses.

        Não estou me referindo só a violência física, mas à violência verbal, relacional, etc através das quais alguns homens submetem outros homens e mulheres para apropriarem recursos para si: derrotar os concorrentes por uma vaga na faculdade ou de emprego, um concurso público, uma promoção. Tudo isso exige níveis altos de testosterona, e esse homem é valorizado como “ambicioso”, “empreendedor”, etc. Mas é a mesma testosterona que dá origem ao estuprador.

        Eu não tenho esses níveis de testosterona. Não tento a todo custo derrotar os outros. Não tenho interesse em obter continuamente mais status ou dinheiro. Não quero cravar minhas garras no mundo para extrair dele o máximo de riqueza que eu puder apropriar. Justamente por isso, não se preocupe, não existem “mulheres que me cercam”.

        Num mundo cheio desse tipo de homens, os índices de estupro necessariamente seriam baixos ou inexistentes. Mas as mulheres têm asco desses homens (desvalorizados como “frouxos”) e nunca permitiriam tal mundo. O que não impede a gritaria contra a “cultura do estupro”, que não é mais do que o outro lado da moeda da “cultura da competição” que elas aprovam e estimulam.

        • caio disse:

          Pôu! Perfeito!

          • caio disse:

            Somos peixes num oceano de competitividade, em que homens – e de umas gerações pra cá, também as mulheres – não podem demonstrar a mínima fraqueza. A “cultura do estupro” é apenas o efeito colateral disso.

          • Alexandre disse:

            acho que algumas pessoas estão confundindo quem gosta de tomar um tapinha as vezes com a cultura do estupro. Sao coisas completamente diferentes.

      • Alexandre disse:

        Celio, talvez as suas e algumas outras. Ser homem não é ser superior. Alias, o que é ser superior? assistir futebol, tomar cerveja e arrotar? ou preparar um jantar, abrir um vinho e celebrar com a mulher?
        Seu conceito de “ser homem” é diferente.

        • Marcos disse:

          Não sou o citado, mas é simples: “ser homem” = “vencer outros homens e mulheres na disputa por recursos.” É preciso dinheiro para preparar um jantar chique, comprar um vinho de qualidade, etc, dinheiro esse que você obtém derrotando a concorrência dos outros que também querem obtê-lo, pois não há o suficiente para as demandas de todo mundo. E então, quanto mais gente você derrota e mais recursos apropria, “mais homem” você é. Mas, repito: como ser “vencedor” dessa forma é função de testosterona, quanto mais vencedor, mais potencial estuprador você é.
          Não questiono a natureza que nos fez desse jeito, questiono as pessoas que exigem testosterona dos homens e depois ficam choramingando porque os homens não conseguem (óbvio, são gente e não máquinas, apesar de a inteligentsia adorar achar que cérebros são facilmente controláveis por narrativa, discurso e coisas do tipo) controlar os efeitos dela.

      • Maciel disse:

        Me parece que p texto inicial é todo feito encima de generalizaçoes..

    • Sabrina Alves Lourenço de Souza disse:

      Puxa, Marcos e Celio, obrigada por me explicarem com tanta eloquência o que EU quero!
      Sempre pensei que queria outra coisa. Respeito por exemplo… Mas vocês devem saber mais do que eu, afinal, são homens, né? E os homens sabem de tudo…

      • Celio disse:

        Sabrina, atualmente o estupro está sendo considerado uma atitude normal de homem. Não é. Na minha opinião estupro é crime, é violência, é errado. E crimes são praticados por criminosos. Generalizei no meu comentário para provocar a mesma sensação que tenho quando, por exemplo, alguém posta uma notícia de estupro com o comentário: “Coisas que homens fazem!”, como se fosse normal, como se o estupro fizesse parte das atitudes normais dos homens.

      • Marcos disse:

        Sabrina, num mundo onde os homens te “respeitassem”, você nunca mais faria sexo com um, por exemplo. Se realmente é isso que você quer, ok, mas as outras mulheres que querem diferente entrariam em conflito com você para manter o mundo do jeito que elas querem.

        De resto, deixa estourar uma guerra para ver se você não se junta à opinião dessas outras e manda o “respeito” para o inferno.

        • caio disse:

          Aí eu já acho que você viajou, Marcos. Homens e mulheres são vítimas dessa onda cultural atávica milenar.
          Devemos fazer o que estamos a fazer aqui: discutir a questão à exaustão; assim, quem sabe um dia superaremos esta visão ultra competitiva imposta a todos, que produz tanto sofrer?

          • Marcos disse:

            Ok, mas fica difícil discutir a questão quando você não explicita exatamente qual é a sua discordância.

  15. Mahelle disse:

    Perfeito! Obrigada.

  16. Maria Julia Bottai disse:

    Excelente texto e reflexão. Só tenho um comentário. Sobre a frase: “Enquanto continuarmos tratando o respeito à mulher como uma luta feminista e não da humanidade”, discordo. O feminismo é uma luta da humanidade.

    • Laís disse:

      Maria Júlia, concordo com sua posição!
      Feminismo não é o contrário de Machismo, não buscamos a superioridade de gênero.
      Feminismo luta por igualdade de direitos à todos os seres humanos, sejam mulheres, homens, trans, negros, brancos, indígenas e por ai vai!
      A luta é justa por justiça! AVANTE!

    • Graziela da Cruz Garcia disse:

      Foi isso que ela disse. “A cultura do estupro seguirá firme…Enquanto continuarmos tratando o respeito à mulher como uma luta feminista e não da humanidade”.

  17. Paula disse:

    Excelente texto

  18. Fábio Viana disse:

    Ao me deparar essa semana com o fato ocorrido desse caso da menina de 16 anos, me chateei bastante ao ver pessoas com as fotos dos perfis no fb trocadas, e com dizeres “eu luto contra a cultura do estupro”, e muitos reproduzindo texto de que todos os homens são estupradores.
    Peguei umas fotos no Google e fiz uns questionamentos do que os vários texto sobre a “cultura do estrupo” falam feministamente do homem, uma amiga comentou e argumentei por duas vezes com os textos que seguem, e espero contribuir um pouco para abertura do que se fala sobre o assunto.

    O texto:

    Cada um fala o que quiser.
    Devidos a certos pensamentos disseminados durante a semana, devido aos acontecimentos, por ser homem, fui taxado de machista e estrupador.
    Mas se você pensar um pouquinho, ao invés de tentar me taxar de algum coisa, deveria se questionar e analisar o altar onde os homens estão sendo colocados.
    Falar da cultura de estupro, na ótica feminista, é sentenciar por única e restrita a responsabilidade do homem, sobre uma educação taxada machista. Mas um fato trágico e nada cômico, é o fato de que a educação dos filhos(as) por uma parcela da população, foi e/ou é realizada pelas mães, mulheres. Que pasmem, limita e/ou limitou os gêneros. Meninas, brincam com meninas e meninos, brincam com meninos. Colhemos os frutos de uma cultura patriarcal fomentada pela matriarcal. Pensamentos velhos, para uma novo mundo sem muros, aprendemos o que os nossos pais, aprenderam com os pais deles e nós aprendemos com os nossos. O que me preocupa, é que toda essa carga está sendo creditada única e exclusivamente à nós. Nós, os homens, somos uns crápulas, maldosos, insanos, enfim, onde quero chegar é que desde uma simples propaganda de cerveja a um incentivo de dois bebezinhos para que se beijem, é uma cultura de estrupo. Eu, você, nós somos frutos de varias vertentes dessa cultura e ficar taxando os outros e se eximir dessa carga, é apenas mais uma divisão, e dividir e consquistar nesse imbróglio, todo mundo perde. Não estou fazendo apologia aos estupro, se você verificar as fotos que postei, são apenas ingênuas ocasiões, brincadeiras, uma onda no baile funk, na beira da piscina, e por serem tão”banal” não as classificamos como tal.

    Se você ver a imagem e pensa que sou um apoiador do estupro, você é apenas mais uma que não ver nada de mais em uma menininha fazendo o quadradinho de oito, com o pai cantando em pleno baile funk, para uma platéia lotada.

    E me pergunto:
    O que é a cultura do estupro?

    • Laís disse:

      Fábio,
      O machismo não é, e nunca foi restrito aos homens! A sociedade como um todo é machista! Homens e Mulheres, pais e mães, e nós: os filhos e filhas, todos fruto de uma sociedade machista. Cabe a nós, seres humanos lutarmos para desconstruir muitas das nossas ideias que são pautadas no machismo!

      Importante salientar que o feminismo não é restrito às mulheres e muito menos o contrário de machismo! O feminismo luta por uma sociedade mais igualitária, de direitos e deveres iguais para todos os seres humanos, independente de gênero, sexo e etnia! Direitos, deveres e oportunidades iguais, seja você homem, mulher, negro, branco, indígena, oriental, gay, trans, hetero!
      Todos nós, seres humanos que acreditam na possibilidade de uma sociedade mais justa e igualitária deveríamos nos pautar pela luta do feminismo na construção de uma realidade diferente.
      Reconhecer por exemplo, que as vezes, o fato de ser homem não te propicia a experiencia prévia de sentir as mazelas que uma mulher sente, apenas por ser mulher.
      Para tentar facilitar a empatia, vou lhe fornecer um exemplo: O maior medo de um homem na cadeia, é ser estuprado. É virar a “mulherzinha” de outro homem na cadeia.
      Nós mulheres entendemos tal sentimento, posto que o nosso maior medo, a todo momento: é ser estuprada.
      Note que o estupro não é uma questão de desejo do homem, libido ou expressão da testoterona, o estupro é uma manifestação de poder sobre o corpo do outro. Um indivíduo se sente com direito de usurpar o direito do outro, ainda que o corpo do outro não lhe desperte à libido, este lhe desperta a vontade de manifestar sua superioridade de influencia ou força.

      Quero ressaltar que, como mulher, feminista, sou absolutamente contra o estupro de qualquer ser humano. Inclusive daquele que estuprou alguém.
      Apenas cito esse medo que os homens sentem nesta situação, para tentar aproximar da situação que as mulheres enfrentam no dia a dia. Seja numa cantada maliciosa na rua, seja ao passar numa rua escura, sozinha, seja ao entrar num ônibus lotado no caminho para o trabalho, e por ai vai.

      Eu entendo a sua indignação, e concordo plenamente que as ideias machistas são incrustadas em nós, desde o nascimento sejam pelas mães, pelos pais, pela TV e tudo o mais. Apenas ressalto a importância do exercício que é refletir sobre nossas ações. Em algum momento da nossa vida, nós todos já tivemos várias atitudes machistas, e nos cabe mudar isso. Ou ao menos a tentativa de mudar.
      Espero ter te ajudado…

      E não, eu não estou lhe taxando de estuprador, ou de apologia ao estupro. E também não acredito que está sobre os homens, exclusivamente a responsabilidade do machismo. Está sobre todos nós, assim como também está a chance de tentar mudar!

      Note que, enquanto alguns homens publicaram textos em favor da vítima, ressaltando a falta de culpa da adolescente, e que quando se diz não, é não. E que, na falta de condições de resposta, ela é não! Algumas mulheres fizeram justamente o oposto, ressaltando a sua roupa curta; que ela já era mãe aos 16; que ela estava fora de casa; que ela se drogava; Na tentativa de diminuir o valor da mulher (que é um ser humano e não um objeto! ela tem vontades) , e justificando a atitude dos agressores.
      Neste caso acima, as mulheres deram voz à sua criação machista, enquanto que os homens que publicaram o texto se mostram de acordo com o movimento feminista. Rompendo com sua criação também machista!

      • Laís disse:

        O que é Machismo:

        Machismo é o comportamento, expresso por opiniões e atitudes, de um indivíduo que recusa a igualdade de direitos e deveres entre os gêneros sexuais, favorecendo e enaltecendo o sexo masculino sobre o feminino. O machista é o indivíduo que exerce o machismo.

        Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos e deveres entre mulheres e homens, independentemente de etnia, gênero e orientação sexual.

        O femismo, por sua vez, pode ser considerado o sinônimo do machismo (ao mesmo tempo que é seu oposto), pois trata-se de uma ideologia de superioridade da mulher sobre o homem. O femismo, assim como o machismo, prega a construção de uma sociedade hierarquizada a partir do gênero sexual; baseada em um regime matriarcal.

        http://atelier801.com/topic?f=5&t=804346

        Imagem que contem um fluxograma onde explica a diferença de machismo, feminismo, femismo, misandria, misoginia! Muito interessante

    • Seu xará disse:

      que bela bosta, hein.

  19. Klaau Cruz disse:

    Texto maravilhoso, uma bela reflexão não efêmera do que se deve levar como base. Parabéns

  20. Daiane disse:

    Obrigada pela contribuição. Ótimo texto!

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